Jornal O Globo
Na madrugada desta segunda-feira (6), a casa de um vereador de Indianápolis foi atingida por disparos, que causaram estilhaços de vidro e buracos na porta da frente. Um bilhete escrito à mão com os dizeres “NÃO A CENTROS DE DADOS” foi encontrado sob o capacho. Paraquedista morre após salto no Reino Unido; testemunhas dizem ter visto 'objeto cair do céu' Vídeo: Mulher fica pendurada em brinquedo descontrolado em feira no México e é salva por espectadores O vereador Ron Gibson estava entre os líderes da cidade que votaram, por 6 a 2, na semana passada, para aprovar uma medida de rezoneamento que permitiria à Metrobloks construir um centro de dados na zona nordeste de Indianápolis. Moradores locais protestaram contra o projeto durante meses, citando preocupações com impactos ambientais e mudanças em um bairro histórico, de acordo com reportagem da WTHR-TV. Dezenas de pessoas lotaram a câmara do Conselho Municipal e do Condado antes da votação, exibindo cartazes e discursando contra o empreendimento, informou a emissora. Pressão nacional contra centros de dados Em todo o país, moradores têm se oposto a empresas de tecnologia que buscam terrenos para construir centros de dados voltados à inteligência artificial. Essas estruturas consomem grandes quantidades de eletricidade e água para resfriamento, o que, em algumas regiões, tem elevado contas de serviços públicos e pressionado o abastecimento local. Os tiros disparados contra sua casa ultrapassam um limite, escreveu Gibson em comunicado enviado por e-mail: “Entendo que o serviço público pode gerar opiniões fortes e discordâncias, mas a violência nunca é a resposta, especialmente quando coloca famílias em risco.” O vereador afirmou que ele e seu filho de 8 anos foram acordados pelos disparos entre 0h45 e 0h50 de segunda-feira. Segundo ele, correu para tranquilizar o filho, garantindo que estava seguro. Gibson disse que 13 tiros foram disparados contra a residência, com balas atingindo “a poucos passos” da mesa de jantar onde o menino havia brincado com Lego no dia anterior. “Essa realidade é profundamente perturbadora”, escreveu. “Este não foi apenas um ataque à minha casa, mas colocou meu filho em perigo e comprometeu a segurança de toda a nossa vizinhança.” Evidências e investigação Fotos enviadas ao The New York Times mostram uma porta de vidro externa estilhaçada sobre o capacho e vários buracos de bala em uma porta interna de madeira. O bilhete com os dizeres “PROIBIDO DATA CENTERS” estava dentro de um saco plástico com fecho hermético, escondido sob o capacho. Em seu terceiro mandato, Gibson tem sido um defensor do centro de dados proposto, que seria construído em seu distrito. Após a votação, ele afirmou em publicação no Facebook que o projeto “tem o potencial de trazer investimentos significativos, criar empregos e gerar receita tributária a longo prazo, apoiando infraestrutura, habitação e serviços essenciais”. Em declaração anterior à WTHR, o vereador destacou que o terreno previsto para o projeto estava vazio há 40 anos, “contribuindo pouco para a economia local ou para a qualidade de vida da vizinhança”. A Metrobloks também mantém projetos em cidades como Detroit, Miami, Phoenix, Kansas City (Missouri) e McAllen (Texas), segundo o site da empresa. Resposta das autoridades Em comunicado, o Departamento de Polícia Metropolitana de Indianápolis informou que agentes responderam a relatos de disparos contra uma residência no quarteirão de Gibson pouco depois das 9h de segunda-feira. As autoridades encontraram evidências de tiros contra a casa, mas não houve registro de feridos. “Acreditamos que este foi um incidente isolado e direcionado”, diz a nota, acrescentando que uma investigação foi aberta com apoio do FBI. Maggie A. Lewis, presidente do Conselho Municipal de Indianápolis, afirmou que o órgão está “profundamente perturbado e com o coração partido” com o ocorrido. “Estamos profundamente gratos por não haver vítimas fatais ou feridos”, disse. “No entanto, esse ato de intimidação atinge o cerne dos nossos valores. Nenhum funcionário eleito — ou qualquer residente de Indianápolis — deveria temer por sua segurança devido ao seu serviço público ou às suas posições políticas.”
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