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Cirurgia cardíaca inédita em UTI neonatal salva recém-nascida no DF
Jornal O Globo

Cirurgia cardíaca inédita em UTI neonatal salva recém-nascida no DF

Uma cirurgia cardíaca à beira-leito realizada em uma UTI neonatal marcou a primeira intervenção do tipo no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, no Distrito Federal. O procedimento foi feito em uma recém-nascida diagnosticada com persistência do canal arterial (PCA), condição congênita que compromete a circulação sanguínea, e foi determinante para a evolução clínica da paciente, que recebeu alta após período de internação. Chef Erick Jacquin é vítima de 'gangue de quebra-vidro' em SP: 'Infelizmente, isso faz parte do Brasil' A bebê nasceu em 29 de janeiro, após gestação e parto sem intercorrências. Ainda na primeira semana de vida, apresentou dificuldade para respirar, o que levou a família a retornar à unidade de saúde. Após avaliação, foi identificado o problema cardíaco. — Foi um baque. A gente não esperava. Quando ela foi intubada, no dia seguinte, entendemos a gravidade da situação — conta a mãe, Bárbara Lorena Rodrigues. Segundo a médica Roberta Lengruber, coordenadora da UTI pediátrica e neonatal, a persistência do canal arterial ocorre quando uma estrutura que deveria se fechar após o nascimento permanece aberta. — Quando o bebê nasce e dá o primeiro respiro, a circulação começa a se reorganizar. Esse canal arterial deveria se fechar naturalmente. No caso da Ester, simplesmente não fechou — explica. Diante da evolução do quadro clínico e da ausência de resposta ao tratamento medicamentoso, a equipe optou pela realização da cirurgia diretamente na UTI neonatal, evitando o deslocamento da recém-nascida e reduzindo riscos associados à instabilidade clínica. O procedimento consistiu no fechamento do canal arterial por meio de uma abordagem minimamente invasiva, guiada por ultrassom. — É uma cirurgia sem necessidade de abrir o tórax ou manipular diretamente o coração. O cirurgião acessa a artéria por um pequeno corte lateral e realiza o fechamento com um clipe, em uma estrutura extremamente delicada e muito pequena — detalha Lengruber. A médica ressalta que, apesar de menos invasiva, a intervenção envolve riscos e exige atuação integrada de diferentes especialidades. — Apesar disso, a cirurgia sempre envolve riscos importantes. É quase um trabalho de arte manual. Por isso, além do cirurgião cardíaco, participaram anestesista, cardiologista pediátrica para monitoramento contínuo com ecocardiograma, intensivistas, enfermeiros e fisioterapeutas — afirma. De acordo com a família, a comunicação da equipe médica foi constante ao longo do processo. — Desde o princípio, a equipe médica conversou com a gente, explicou como tudo ia funcionar. A linha de frente, a Roberta Lengruber e o Pedro Lourenço sempre se mostraram empenhados em resolver a situação da nossa filha. Essas pessoas que nos atendem diariamente são excepcionais — diz a mãe. O resultado foi observado nas primeiras 24 horas após a cirurgia, quando exames já indicavam melhora significativa na circulação e na função cardíaca. — Depois da cirurgia, conseguimos respirar mais aliviados. A gente temia muito o pós-operatório, mas foi melhor do que os dias anteriores, quando ela estava bem debilitada — relata Bárbara. Após recuperação na UTI neonatal, a recém-nascida recebeu alta no dia 26 de março. Segundo a família, a expectativa é positiva para a evolução do quadro. — Embora a cirurgia tenha sido um sucesso, ela vai precisar de uma atenção especial. Mas a expectativa é de que ela tenha uma vida normal — afirma a mãe. De acordo com o Ministério da Saúde, a cada mil crianças que nascem no Brasil, dez apresentam algum tipo de cardiopatia congênita, o que representa cerca de 30 mil casos por ano. Em média, 40% desses pacientes precisam passar por cirurgia ainda no primeiro ano de vida.

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