Jornal O Globo
Um estudo publicado na renomada revista científica Nature Medicine apresenta novas informações sobre como o cérebro reage a diferentes tipos de drogas psicodélicas. De acordo com o trabalho, que é o maior já realizado sobre o assunto, essas substâncias parecem alterar a forma como redes cerebrais importantes se conectam, incluindo aquelas envolvidas no pensamento de alto nível, na visão e no movimento, e várias drogas podem compartilhar um padrão comum de efeitos cerebrais. Faça a conta: Quantos quilos você perde se caminhar 30 minutos todos os dias? Do prato à cama: Conheça alimentos que podem melhorar o sono, segundo especialistas As drogas psicodélicas estão sendo investigadas como tratamento para diversos transtornos mentais, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Mas os mecanismos cerebrais por trás de seus efeitos permanecem obscuros. Estudos anteriores de neuroimagem em pequenos grupos produziram resultados inconsistentes, o que dificultou a identificação de efeitos consistentes entre diferentes estudos e drogas. Portanto, a compreensão de como os psicodélicos influenciam a conectividade funcional do cérebro — como as atividades em diferentes partes do cérebro flutuam em conjunto ao longo do tempo — não estava clara, até agora. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, combinaram 11 conjuntos de dados independentes de neuroimagem, abrangendo psilocibina (o componente psicoativo dos cogumelos mágicos), LSD, mescalina, DMT (N,N-dimetiltriptamina) e ayahuasca (bebida que contém DMT), em uma análise de 267 participantes em mais de 500 sessões de escaneamento cerebral. Entre as diversas drogas e locais de estudo, a descoberta mais clara em comum foi que, após o uso das substâncias, a conectividade entre as redes corticais envolvidas no pensamento de alto nível (redes do modo padrão e frontoparietais) e aquelas envolvidas na visão (redes visuais) e no tato (redes somatomotoras) tornou-se mais forte. Embora afirmações anteriores incluam a ideia de que redes cerebrais individuais se "desintegram" sob o efeito de psicodélicos, tais efeitos foram relativamente inconsistentes e observados apenas em alguns casos. Os autores também encontraram alterações na conectividade entre regiões subcorticais do cérebro que ajudam a coordenar a percepção e a ação, incluindo o núcleo caudado, o putâmen e o cerebelo. Esses resultados são consistentes com a ideia de que os psicodélicos relaxam o controle de cima para baixo usual do cérebro, permitindo que a atividade flua mais livremente. Eles também fornecem um panorama mais detalhado, mostrando que esses efeitos ocorrem em padrões específicos de redes e regiões cerebrais. As descobertas fornecem um recurso valioso para pesquisadores que buscam compreender melhor como os psicodélicos atuam no cérebro e como esses efeitos podem ser traduzidos em intervenções clinicamente significativas. Os resultados também apontam para um padrão compartilhado de atividade cerebral entre múltiplas drogas psicodélicas, oferecendo uma visão mais clara de como essas drogas remodelam a organização cerebral em larga escala. Os autores observam que estudos futuros devem comparar diretamente diferentes psicodélicos em condições padronizadas, utilizando métodos consistentes e grupos maiores, para construir um mapa mais robusto e confiável de seus efeitos no cérebro.
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