Jornal O Globo
A Raízen, maior empresa de biocombustíveis do país, e seus credores discutem nesta quarta-feira, em Nova York, a proposta feita pela empresa para equacionar dívidas de R$ 65 bilhões. Segundo fontes a par das negociações, a Raízen propôs a conversão de 45% da dívida em ações, o equivalente a R$ 29 bilhões. Raízen: empresa faz maior pedido de recuperação extrajudicial da história do país A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial, no dia 11 de março, o maior já registrado no país. No pedido, a Raízen informou que os principais credores — que detêm cerca de 47% da dívida — já tinham aderido ao acordo. A partir daquela data, a Raízen ganhou um prazo de 90 dias para obter a adesão dos demais credores, assegurando que 100% dos créditos sejam incluídos nos novos termos e condições de pagamento a serem definidos. Entre os principais credores da Raízen estão o Bank of New York Mellon, com cerca de R$ 26,18 bilhões a receber; a True Securitizadora, com R$ 7,33 bilhões; e a Pentágono S.A. Securitizadora, com aproximadamente R$ 6,34 bilhões. Também figura entre as maiores exposições o BNP Paribas, com cerca de R$ 4,21 bilhões em créditos. Em quinto lugar aparece o Banco Santander, com aproximadamente R$ 2,25 bilhões. Há também credores brasileiros importantes, ainda que não estejam entre os cinco maiores. O Bradesco tem R$ 2,08 bilhões a receber. Já o Itaú Unibanco tem aproximadamente R$ 1,27 bilhão e o Banco do Brasil possui cerca de R$ 1,03 bilhão em exposição. Inicialmente, além da capitalização da empresa com R$ 4 bilhões (R$ 3,5 bilhões da controladora Shell e mais R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, da Cosan) esperava-se converter 35% da dívida em ações. Agora, a proposta subiu para 45%, o que teria desagradado uma parte dos credores, que em carta aos acionistas controladores pediram um reequilíbrio da proposta, conforme divulgado pelo jornal Valor Econômico e confirmado pelo GLOBO. Na proposta da Raízen feita aos credores no âmbito da recuperação extrajudicial, também consta pedido de alongamento do restante da dívida por 13 anos e injeção de recursos novos na companhia, da ordem de R$ 5 bilhões, com cinco anos de carência. Os recursos seriam obtidos via empréstimo. Segundo adiantou o colunitsa do GLOBO, Lauro Jardim, na proposta está incluída ainda a possibilidade de vetos que os credores poderão fazer no conselho de administração. O conselho deverá ter sete integrantes (hoje, são oito); quatro indicados pelos controladores (Cosan e Shell) e três pelos credores. A reestruturação da Raízen também envolve a venda de ativos. Ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou venda de um ativo de geração distribuída da Raízen para o grupo Gera Energia. A operação envolve a aquisição, pela Bio Gera Energia Locações de Máquinas e Equipamentos Industriais, de 100% da Bio Polaris Energia Locações de Máquinas e Equipamentos Industriais II, empresa controlada indiretamente pela Raízen e que atua no segmento de geração distribuída a biogás. A situação financeira da Raízen se deteriorou com o cenário de juros elevados, altos investimentos que ainda não deram o retorno esperado (especialmente em etanol de segunda geração) e problemas climáticos que afetaram a safra de cana. Por conta do pedido de recuperação extrajudicial, a B3 excluiu as ações da Raízen do Ibovespa e de outros índices, conforme as regras da Bolsa. Os papéis acumulam queda em 2026 e vinham sendo negociados abaixo de R$ 1.
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