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Foto de arquivo da fachada do Conjunto Residencial da USP (Crusp) na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo Marcos Santos/USP Imagens A Universidade de São Paulo (USP) expulsou um estudante acusado de estupro do Conjunto Residencial da USP (Crusp) e o suspendeu das aulas por 120 dias. O processo administrativo disciplinar começou em outubro de 2024 e foi concluído apenas na semana passada. O caso ocorreu nas dependências do Crusp, em setembro de 2024, pouco depois de outros dois episódios de violência sexual. Na época, estudantes denunciaram falhas de segurança e problemas de iluminação no campus. (Leia mais abaixo.) Questionada sobre a demora na análise, a universidade afirmou que a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), responsável pelo acolhimento e acompanhamento de casos desse tipo, seguiu todos os ritos legais e prazos previstos, incluindo produção de provas, oitiva de testemunhas e requisição de documentos, para garantir o contraditório e a ampla defesa. "É preciso haver muita cautela na condução desses processos, inclusive para que, em um cenário de judicialização, não se vislumbrem nulidades que comprometam a integridade do processo", disse a USP em nota. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Após o período de suspensão, o estudante poderá solicitar o auxílio integral de R$ 885, destinado a alunos de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica, já que foi expulso da moradia estudantil. Segundo a universidade, ele deverá passar pelo mesmo processo seletivo dos demais candidatos. Estudante PcD denuncia estupro Em 19 de agosto de 2024, uma estudante da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP denunciou ter sido estuprada por outro aluno dentro do Crusp. Na época, Yasmin Mendonça tinha 20 anos. A denúncia também é apurada pela PRIP, por meio de processo administrativo disciplinar. Ainda não há prazo para a conclusão. Após o episódio de violência sexual, a vítima deixou a moradia estudantil e passou a viver com a família. À GloboNews, Yasmin contou que, após um dia de aula, foi convidada para tomar um café no dormitório do então colega. A estudante Yasmin Mendonça relata falta de apoio da USP GloboNews "Depois que ele viu que eu terminei um relacionamento, ele voltou a me importunar com frases horrorosas. Ele puxou a cadeira pro meu lado, me senti intimidada e tentei trazer outro assunto à tona. Ele me pediu um beijo. Eu disse que não queria me relacionar com ele daquele jeito, que eu queria só amizade”, lembrou. Segundo ela, enquanto conversavam sobre literatura brasileira, o suspeito começou a passar a mão pelo seu corpo sem consentimento. "Não consegui ter reação nenhuma, só fiquei parada. Já tinha falado que não queria, e ele foi passando a mão”. Diagnosticada com paralisia cerebral tipo 1, Yasmin tem mobilidade reduzida em todo lado direito do corpo. Acanhada e com medo, teve medo reagir e ser agredida pelo rapaz. “Simplesmente paralisei quando percebi que ele estava abaixando a manga da minha blusa, a alça do meu sutiã". Depois do episódio, ela foi para seu dormitório, que fica próximo ao do agressor, e ficou se questionando sobre o ocorrido. Momentos depois, ao encontrar o acusado na escada de incêndio, Yasmin verbalizou sobre seu descontentamento: “Eu disse 'Olha, cara, não gostei do que você fez. Não quero que você faça isso de novo comigo, me senti realmente desrespeitada”. "Ele me 'ouvia' enquanto passava a mão no meu corpo, me acariciando e dizendo 'eu entendo'. Quando fui entrar no meu apartamento, ele veio por trás de mim e esfregou as partes íntimas dele no meu corpo. Quando entrei, ele ainda foi debochado e falou 'Se você demorar pra fechar a porta é porque gostou, porque você quer'”. Na época, a estudnate também contou que enfrentou dificuldades para conseguir medidas cautelares contra o agressor — tanto no âmbito acadêmico quanto no judicial.
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