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Antes de eleição, vice-presidente americano visita Hungria para apoiar premier Viktor Orbán, aliado da Rússia
Jornal O Globo

Antes de eleição, vice-presidente americano visita Hungria para apoiar premier Viktor Orbán, aliado da Rússia

A cinco dias de uma eleição considerada decisiva para o futuro político da Hungria, a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, a Budapeste, nesta terça-feira, evidenciou o peso internacional do pleito e o alinhamento direto de Washington com o primeiro-ministro Viktor Orbán. A viagem ocorre às vésperas das eleições parlamentares de domingo, em um cenário de queda nas pesquisas para o partido governista Fidesz e avanço da oposição. O movimento é interpretado como uma tentativa de influenciar o resultado eleitoral em um país com menos de 10 milhões de habitantes, mas com relevância estratégica em meio a tensões globais. Veja também: Ataque russo contra mercado deixa cinco mortos na Ucrânia; Kiev bombardeia o sul da Rússia Número recorde: Estudo revela que Rússia lançou mais de 6 mil drones contra a Ucrânia em março De acordo com o The New York Times, a presença de Vance na Hungria “deixa claro que a Rússia não é o único país empenhado na vitória” de Orbán, que governa desde 2010 e enfrenta seu maior desafio eleitoral em 16 anos. O vice-presidente chegou ao país na manhã de terça-feira, apenas cinco dias antes da votação, considerada a mais importante desde o fim do regime comunista, em 1989. Durante coletiva de imprensa, Vance afirmou que há uma convergência ideológica entre os governos húngaro e norte-americano, sob a liderança do presidente Donald Trump. Segundo ele, os dois países estão unidos por uma “cooperação moral” na “defesa da civilização ocidental”. Na mesma ocasião, declarou: “Viktor Orban, é claro, vai vencer”. Em resposta, o premiê húngaro interrompeu: "Isso é um fato." O presidente Trump e o vice-presidente JD Vance em um almoço com o primeiro-ministro Viktor Orban, ao centro à esquerda, na Casa Branca, em Washington Tierney L. Cross/The New York Times O vice-presidente também elogiou Orbán, chamando-o de "sábio e inteligente", e criticou a União Europeia. Ele afirmou que os "burocratas" europeus "tentaram destruir a economia húngara" para influenciar o resultado eleitoral “porque odeiam esse cara”. Em outra declaração, reforçou: "Quería enviar una señal a todo el mundo, especialmente a los burócratas de Bruselas, que han hecho todo lo que han podido para reprimir al pueblo de Hungría porque no les gusta el líder que, de hecho, se ha plantado por el pueblo de Hungría". Apesar do apoio explícito, ponderou: "No le diré a los húngaros cómo votar". Kremlin: Pela terceira vez desde o início da guerra, Rússia afirma ter o controle total de Luhansk, na Ucrânia A viagem ocorre após visita do secretário de Estado Marco Rubio, em fevereiro, quando desejou “éxito” a Orbán. Segundo analistas, os movimentos refletem uma estratégia mais ampla da administração Trump de aproximação com lideranças nacionalistas europeias, descrita em um documento de segurança nacional como alinhamento com “partidos patrióticos europeus”. Disputa interna, pesquisas e oposição em ascensão Apesar do apoio internacional, pesquisas independentes indicam que o Fidesz enfrenta desvantagem significativa. Levantamentos citados pelo The New York Times apontam uma diferença de 10 pontos percentuais ou mais em favor do partido Tisza, liderado por Peter Magyar, um ex-aliado de Orbán que rompeu com o governo em 2024. O movimento, de perfil conservador pró-europeu, ganhou força em menos de dois anos e passou a ameaçar a hegemonia do atual premiê. Já institutos ligados ao governo indicam cenário oposto, projetando vitória da coalizão Fidesz-KDNP. Orbán, de 62 anos, venceu com facilidade as quatro eleições anteriores e é visto como referência por movimentos nacionalistas na Europa, sendo associado a políticas de restrição à imigração e enfrentamento a pautas progressistas. O Sr. Vance, à esquerda, reunindo-se com Peter Szijjarto, ministro das Relações Exteriores da Hungria, o terceiro da esquerda para a direita, e o Sr. Orban em Budapeste na terça-feira Jonathan Ernst A campanha do primeiro-ministro tem enfatizado a segurança nacional e a oposição à Ucrânia, apontada como uma ameaça regional. Segundo o The New York Times, essa narrativa coloca o Fidesz como “único garantidor de segurança” diante do que Orbán considera riscos vindos do país vizinho. Interesses geopolíticos e influência internacional O pleito húngaro também mobiliza interesses de outras potências. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vê Orbán como aliado estratégico dentro da União Europeia, especialmente por sua atuação em temas como sanções econômicas e apoio financeiro à Ucrânia. Moscou mantém colaboração com o governo húngaro e tem contribuído para sustentar a economia do país por meio do fornecimento de energia. Número recorde: Estudo revela que Rússia lançou mais de 6 mil drones contra a Ucrânia em março Na véspera da chegada de Vance, o Kremlin apoiou alegações do governo húngaro sobre um suposto ataque a um gasoduto que liga a Sérvia à Hungria. O porta-voz Dmitri Peskov afirmou que a Ucrânia tem histórico de sabotagem e que "é muito provável que sejam encontrados indícios do envolvimento do regime de Kiev" no episódio. O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, aliado de Orbán, declarou que explosivos de "poder devastador" foram encontrados no trecho sérvio do gasoduto. A oposição húngara contestou a narrativa. Peter Magyar questionou a veracidade da informação e acusou o governo de tentar influenciar o eleitorado com base no medo às vésperas da votação. Uma visita agendada do vice-presidente JD Vance deixa claro que a Rússia não é o único país interessado na vitória do líder húngaro, Viktor Orbán Akos Stiller/The New York Times Segundo o The New York Times, o envio de Vance à Hungria indica que o governo Trump acredita na possibilidade de reverter o cenário apontado pelas pesquisas. O próprio presidente norte-americano já afirmou ter capacidade de influenciar eleições estrangeiras. Em entrevista à Politico, citou o apoio ao presidente argentino Javier Milei como exemplo: "Ele estava perdendo a eleição, e eu o apoiei e ele venceu com uma margem esmagadora". No entanto, diferentemente do caso argentino, não há confirmação de apoio financeiro direto à Hungria. Orbán afirmou ter discutido com Trump um “escudo financeiro” de dezenas de bilhões de dólares, mas o presidente dos EUA negou: "Não, eu não prometi a ele, mas certamente ele pediu".

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