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André Mendonça afirma que magistrados precisam de 'grau de contenção a mais' | Collector
André Mendonça afirma que magistrados precisam de 'grau de contenção a mais'
Jornal O Globo

André Mendonça afirma que magistrados precisam de 'grau de contenção a mais'

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta segunda-feira (6) que magistrados precisam ter um grau elevado de contenção em suas relações pessoais e profissionais para preservar a credibilidade da Justiça. As declarações foram feitas durante cerimônia em que recebeu o Colar da Honra ao Mérito Legislativo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). — O magistrado precisa ter um grau de contenção a mais, um grau de prudência maior. O bom magistrado precisa ser prudente e precisa ser íntegro — disse Mendonça. — Nós precisamos estar imunes a ações que comprometam de forma substancial, de forma voluntária, de forma consciente a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado. Mendonça também afirmou que imparcialidade significa olhar para as pessoas de modo igualitário, sem privilegiar amigos nem perseguir inimigos. — Imparcialidade é você olhar para as pessoas de modo igualitário. É você considerar os interesses envolvidos de forma equânime. É você não privilegiar amigos, é você não perseguir inimigos. Sem mencionar diretamente os casos em que é relator, como o que envolve o Banco Master, o ministro disse ainda que os magistrados não estão imunes a erros. — Não que sejamos imunes a erros ou equívocos, ou a situações que possam gerar incompreensão. Os senhores sabem, os senhores são homens públicos, às vezes, estamos próximos de pessoas sem ter relação com elas, mas essa presença pode ser mal interpretada pela sociedade — Disse Mendonça durante o evento na noite de ontem, em que recebeu o Colar do Honra ao Mérito, a maior honraria do Legislativo paulista. Homenagem O evento, proposto pelo deputado estadual Oseias de Madureira (PL), contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), entre outras autoridades. O ex-ministro da Advocacia Geral da União e indicado ao Supremo, Jorge Messias, também esteve no evento. Messias sentou-se na mesa principal do encontro. — E falar em homenagens, é interessante porque da nossa parte de agradecimento vem o momento de nós, em alguma medida, pensarmos que não merecemos tudo isso. Mas vocês nos presenteiam com tudo isso. E diante dessa cerimônia em que eu devo agradecer, ao mesmo tempo sinto a responsabilidade de me comprometer por um discurso tão generosos para comigo. O mínimo que eu posso fazer é, em alguma medida, me responsabilizar com essa generosidade. Fazer, apesar dos meus limites e das minhas imperfeições, alguns compromissos públicos para que, de fato, eu faça jus a essas homenagens — disse Mendonça. Em outro momento do discurso, o magistrado falou que busca a imparcialidade nos julgamentos, apesar do alinhamento evangélico. — Eu vejo a imprensa falar, 'ah, porque ali tem uma proximidade religiosa, porque ali tem uma proximidade histórica, porque ali não agiu corretamente com ele em determinado momento, ele vai beneficiar A e vai prejudicar a dele'. Eu não tenho esse direito. A missão que me foi investida não me dá esse direito. Seja a missão pública, seja a minha fé. Aliás, eu fui ensinado a orar pelos que me percebem. Para abençoar inclusive a eles. Então, é um compromisso que faço, mesmo sendo imperfeito. Eu vou buscar ser imparcial — afirmou Mendonça. Mendonça foi sorteado, há cerca de dois meses, como novo relator do caso Master na corte após Dias Toffoli decidir deixar o posto. Menos de um mês depois, ele determinou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcado, do Banco Master. Sua atuação não apenas no caso do Banco Master, mas também nas fraudes no INSS, ampliou o protagonismo no Supremo Tribunal Federal (STF). 'Ele não' para Messias Um dos presentes na Alesp, o ex-advogado geral da União Jorge Messias, que foi indicado pelo presidente Lula para o cargo de ministro do Supremo - a vaga ainda não foi aprovada pelo Senado -, tem tido em Mendonça um cabo eleitoral para o posto. Um dia após ser indicado para o STF, Messias foi recebido por Mendonça na Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira (Conamad), em São Paulo. Messias foi abraçado por Mendonça logo que subiu ao palco. Nesta segunda, em pelo menos duas ocasiões, quando o nome de Messias foi citado no microfone, um pequeno grupo de pessoas que estavam na tribuna da Casa gritaram "ele não". Messias não discursou e também não falou com a imprensa.

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