Jornal O Globo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia impor um limite de para para dívidas com apostas esportivas como contrapartida para tomada de empréstimos em linhas de crédito que devem ser oferecidas pelo governo para combater o endividamento das famílias. O governo procura medidas para reduzir o endividamento das famílias, que se tornou uma preocupação de Lula nas últimas semanas. O diagnóstico é que o problema tem prejudicado a popularidade do governo a seis meses da eleição. Durigan se reuniu com a bancada do PT na Câmara em uma conversa que, segundo ele, foi para definir como fazer chegar à população a percepção de que há uma boa situação econômica no país atualmente. De acordo com o ministro, isso passa por propostas para mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o setor de combustíveis no Brasil, e medidas para reduzir o endividamento dos brasileiros. Neste âmbito, o governo estuda definir um limite para o endividamento com as chamadas bets de famílias que usarem linhas de crédito que serão criadas. — Vai ter mais de uma linha, seja para família, seja para o trabalhador informal, seja para o MEI, para que a gente consiga perfilar e oferecer uma condição melhor para essas pessoas. Como contrapartida, o que a gente vem discutindo muito é que a gente limite o posterior endividamento dessas pessoas, com por exemplo, bets, com apostas digitais — disse Durigan, na saída da reunião. Na manhã desta terça, Lula se reuniu com ministros para discutir as medidas. O plano em discussão no governo e com bancos é ter, dentro de poucos dias, um novo programa de renegociação de dívidas em atraso, uma versão simplificada e de menor duração do Desenrola, focada nas modalidades mais caras do mercado: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, como antecipou O GLOBO. O governo discute ao menos dois focos de ação prioritária: população de baixa renda com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, que seriam estimuladas a renegociar seus débitos em uma espécie de novo Desenrola; e pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda com o pagamento de parcelas de dívidas que seriam estimuladas a migrar de linhas de crédito caras para mais baratas. O ministro da Fazenda disse que, nesta reunião, foi apresentado ao presidente um primeiro desenho de como esse programa funcionaria. — Isso ainda vai ser discutido, levado e considerado ao presidente nos próximos dias — completou. Durigan adiantou à colunista Míriam Leitão que busca descontos de até 80% na dívida com refinanciamento do restante. Ainda está em discussão se será imposta um teto para a taxa dos novos contratos, mas essa é a tendência, dizem executivos do setor financeiro, diante de garantias que devem ser dadas pelo governo.
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