Jornal O Globo
O Flamengo inicia amanhã, diante do Cusco, mais uma participação na Copa Libertadores. No entanto, ainda está bem fresco na memória o tetracampeonato conquistado na última edição, na final vencida contra o Palmeiras. Herói da vitória por 1 a 0, ao marcar de cabeça, Danilo lembra que viveu o "cenário perfeito" e poderia até ter encerrado a carreira após a decisão em Lima (Peru). — Nesse dia aqui, eu podia terminar minha carreira. Porque é o cenário perfeito. Tirando que, até então, eu não consegui ganhar a Copa do Mundo com a seleção brasileira... mas esse aqui é o cenário perfeito. Eu saio do América Mineiro, construo (uma história) maravilhosamente no Santos, faço minha trajetória na Europa, e volto para o meu time de coração, de infância, onde eu conheci o futebol e tudo. Faço o gol da final da Libertadores e a gente é campeão, numa idade "ok", 34 anos. Não é tanto, mas já vivi bastante coisa. Acabaria tranquilamente sem dizer que estava faltando nada — lembrou o defensor em um programa da "Flamengo TV". Contratado pelo Flamengo no início do ano passado, após deixar a Juventus (Itália) e encerrar uma passagem de 13 anos no futebol europeu, Danilo lembra que o ano de 2025 não foi fácil, marcado por algumas lesões musculares. Até mesmo na final da Libertadores, não estava em condições, mas a experiência no futebol ajudou — Eu não estava no "sacrifício", mas estava muito limitado. Porque eu precisava a todo o tempo ficar calculando muito bem, para eu não entrar numa disputa de velocidade muito grande. Eu queria viver aquilo. O que eu vou fazer? É o jeito. Acho que a experiência e a vivência vão te dando mecanismos para poder seguir. Estava muito satisfeito, depois também me senti anestesiado — lembra. — Eu tive duas lesões de posterior (na temporada), fiquei 40 dias fora. Não é tão fácil você voltar logo, estar bem fisicamente, com ritmo. Mas se tem uma coisa que eu aprendi, como eu mostrei lá, é sonhar. Eu procurava nem falar. Chegava aqui no Flamengo, os médicos falavam assim: "Como está o joelho?" E eu: "Me perguntem se eu posso jogar. Você está bom para jogar? 'Tô'." — brinca. — Mas o joelho estava ruim. Eu estava vivendo mal, não conseguia muitas vezes calçar a meia. Para vestir o short, não conseguia dobrar. Agora, a gente dá risada. Era a única forma que eu tinha de colaborar. Tinha que lutar com a minha própria mente, e transformar aquilo em algo que pudesse depois virar história — afirma Danilo. Antes da final, pairou a dúvida se o titular na zaga seria Léo Ortiz ou Danilo. No final das contas, a escolha do treinador Filipe Luís foi por colocar o futuro herói do título me campo. O veterano não nega que estava nervoso de maneira incomum antes do jogo, mas que a ajuda dos companheiros e o clima do estádio Monumental ajudaram a afastar aquilo tudo. — Eu não costumo ficar muito nervoso assim em jogos. É normal, você vai se habituando, é uma rotina. Mas nesse jogo, em específico, eu estava bastante nervoso. Fiquei muito nervoso na manhã do jogo, até porque eu não tinha certeza se eu ia jogar ou não. O Filipe (Luís) ainda não tinha falado ainda a escalação. Durante a manhã, depois do almoço, na fisioterapia... No ônibus, eu já estava mais tranquilo. Chegando mais perto do campo, fui me acalmando — recorda. — O tempo no vestiário foi muito simbólico, porque se notava uma sinergia entre o pessoal, um olhar de concentração. Nessa hora, é onde eu me sinto em casa, porque é onde eu eu me expresso, consigo falar, transformar esse nervosismo em motivação e concentração. Em, campo eu já sentia que realmente a gente estava numa conexão superior àquilo que o adversário estava. Estávamos sentindo muito o ambiente, de forma positiva, se conectando com o ambiente. As coisas vão acontecendo por sinergia — finaliza Danilo. O jogador de 34 anos está relacionado para a viagem a Cusco. Amanhã, às 21h30, o rubro-negro enfrenta o time peruano. Atual campeão da América, o Flamengo está no grupo A da Libertadores, junto de Cusco (Peru), Estudiantes (Argentina) e Independiente Medellín (Colômbia).
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