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Ministério Público vai investigar morte de mulher em discussão com PM em São Paulo | Collector
Ministério Público vai investigar morte de mulher em discussão com PM em São Paulo
Jornal de Brasília

Ministério Público vai investigar morte de mulher em discussão com PM em São Paulo

FOLHAPRESS Os promotores de Justiça do Gaesp (Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial), do Ministério Público do Estado de São Paulo, instauraram procedimento, na segunda-feira (6), para apurar a morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31, durante discussão com uma policial militar na zona leste da capital paulista, na sexta-feira (3). A Promotoria disse que, segundo relatos, o companheiro da vítima se desequilibrou na rua, no bairro Cidade Tiradentes, e acabou batendo na viatura. Isso teria gerado um desentendimento, que culminou no disparo contra a mulher. Depoimentos de testemunhas e de uma advogada que assistiu à gravação da ocorrência que resultou na morte da ajudante-geral, contradizem a versão contada por policiais militares. Essas pessoas afirmam que Thawanna foi agredida antes de ser baleada. Ferida, a ajudante-geral ficou mais de 45 minutos caída no asfalto até a chegada de uma ambulância, segundo moradores. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que o caso é investigado "com prioridade" na Polícia Civil e que "lamenta profundamente a morte de Thawanna da Silva Salmázio e se solidariza com seus familiares". Dois policiais envolvidos na ocorrência, inclusive a soldado que disparou, foram afastados do patrulhamento nas ruas. A reportagem conversou com quatro moradores da rua Edimundo Audran, na Cidade Tiradentes, onde Thawanna foi ferida. Dois deles afirmaram ter visto a agressão e o tiro, e dois disseram que escutaram a discussão entre os policiais, Thawanna e o marido e viram a movimentação logo após o disparo. Os detalhes descritos pelos moradores são os mesmos relatados pela advogada Viviane Leme, que defende a família de Thawanna e disse ter visto as imagens da câmera corporal do PM que dirigia a viatura. Yasmin não portava câmera corporal no momento da ocorrência. "A gente percebe que não foi a Thawanne que bateu nela, não. Foi a Yasmin que deu o primeiro chute", disse a advogada. A câmera corporal não gravou as duas no momento do tiro, mas captou a agressão e a discussão, segundo Leme. Foram 33 segundos entre o momento em que a viatura avança em direção a Luciano e o disparo, de acordo com a advogada. Tanto ela quanto os moradores descreveram uma discussão banal, com os PMs dizendo que o meio da rua não era lugar para caminhar e Thawanna perguntando se eles iam atropelá-los. "O policial parceiro da Yasmin ainda fala 'não desce' [da viatura] e mesmo assim ela desce", relata a advogada. As imagens não foram divulgadas para a imprensa. A Secretaria de Segurança Pública disse que as imagens registradas pelas câmeras corporais "já foram identificadas e anexadas aos inquéritos" e que a ausência do equipamento de uso obrigatório também é alvo de apuração da Corregedoria da PM. "Toda e qualquer irregularidade identificada será apurada e os responsáveis punidos nos termos da lei." Os moradores relataram que foram impedidos de prestar qualquer socorro ao ver a mulher ferida. "Eu saí de casa e fui em direção a ela, mas o policial apontou a arma e falou 'se vier, vai tomar [tiro]', relatou o empreiteiro Israel Campos, 48, que mora a poucos metros do local onde ela caiu. "É indignante ver uma pessoa agonizando e não poder fazer nada." Ele confirmou o relato de que a ajudante-geral não agrediu a policial. "Quando tem perseguição, todo mundo acorda e fica na janela, esperto, porque sabe que vai ter confusão. Muita gente viu", disse o líder comunitário Erick Levi, 27. Thawanne é mãe de cinco filhos, com idades de 5 a 16 anos, segundo familiares. Três deles dependiam diretamente da renda da ajudante-geral para comer. Ela completaria 32 anos de idade na próxima quarta-feira (8).

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