Revista Oeste
O secretário de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos (OEA) , Ivan Marques, disse, nesta segunda-feira, 6, ao jornal Folha de S.Paulo que o crime organizado na América Latina passa por transformação estrutural, com menor dependência do narcotráfico e expansão de atividades ilegais. Segundo Marques, a cocaína segue relevante, mas deixou de concentrar a principal fonte de receita. O lucro passou a se distribuir entre tráfico de armas, exploração sexual, comércio ilegal de fauna, extração clandestina de recursos naturais, extorsão e crimes financeiros, além da integração entre atividades legais e ilícitas. No Brasil, facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho ampliaram operações para fora do país. O PCC mantém atuação em ao menos 20 nações . https://www.youtube.com/watch?v=KPBCoC2gsN8&pp=ygUWcmV2aXN0YSBvZXN0IGZhY8Onw7Vlcw%3D%3D No cenário internacional, cartéis mexicanos, como o Jalisco Nueva Generación, atuam ao lado de organizações mafiosas europeias. Grupos albaneses, italianos, húngaros e croatas formam redes articuladas de atuação transnacional. “A rede transnacional é composta por grupos locais menores para dar vazão a um mercado de ilícitos bastante variado”, afirmou Marques. “O controle da cadeia de produção e logística se distribui entre múltiplos grupos, assim como o risco. O objetivo é o lucro, mesmo que a violência seja consequência dessas operações.” Novas frentes do crime A OEA monitora novas frentes de ameaça, como o avanço dos crimes cibernéticos e o controle de materiais biológicos e radioativos. O ambiente digital concentra parte crescente das extorsões e roubos, com o Brasil entre os principais alvos globais. O secretário também demonstrou preocupação com o Caribe, onde a criminalidade se torna mais violenta e armada. A organização presta assistência técnica a países da região e da América Central para conter o tráfico de armas e munições. Outro alerta envolve o desvio de explosivos de operações de mineração para organizações criminosas. Países da América Central firmaram acordo para intensificar o combate ao tráfico de armamentos. Cooperação entre agências ganha centralidade A OEA defende mudança no modelo de enfrentamento ao crime transnacional, com integração entre órgãos de investigação e segurança. Marques citou o Brasil como referência, ao destacar a Operação Carbono Oculto , que desarticulou uma organização criminosa sem uso de força letal. “Parece algo óbvio, mas ainda recebe pouca aplicação na América Latina e no Caribe”, disse. “Polícias, Ministérios Públicos e aduanas muitas vezes não se comunicam. Grupos integrados de investigação representam inovação institucional.” Marques defende a adoção desse modelo por países da região, com foco em operações coordenadas e compartilhamento de inteligência. + Leia mais noticias de Mundo em Oeste O post Crime organizado diversifica atuação e amplia alianças internacionais, diz OEA apareceu primeiro em Revista Oeste .
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