Jornal O Globo
A chegada do outono, marcada pela queda gradual das temperaturas e pela redução da luminosidade, não afeta apenas os humanos. Cães e gatos também sentem os efeitos da mudança de estação, com alterações no comportamento e no organismo que podem impactar diretamente a saúde. Sonolência, redução da energia e mudanças no apetite estão entre os sinais mais comuns, muitas vezes subestimados pelos tutores. Seu cachorro não te entende? Confira 5 dicas para melhorar a comunicação com o pet Pets ansiosos e destrutivos? Veja os hábitos que podem estar prejudicando o comportamento deles Do ponto de vista clínico, essas alterações são esperadas. Segundo veterinária Beatriz Salles, há uma relação direta entre o outono e o funcionamento do organismo dos pets. "É coerente associar as mudanças sazonais a alterações fisiológicas e comportamentais em cães e gatos. A redução do fotoperíodo e da temperatura impacta o metabolismo, o nível de atividade e o padrão alimentar", explica. Entre os principais efeitos estão o aumento do sedentarismo e o risco de ganho de peso, já que os animais tendem a ficar mais sonolentos e menos ativos. Esse quadro pode agravar condições metabólicas e articulares, especialmente em pets predispostos. A menor exposição ao sol e a redução das atividades ao ar livre contribuem para esse ciclo de inatividade, com impacto direto na saúde física. Além disso, o período também favorece o surgimento de problemas respiratórios. "A queda de temperatura e luminosidade pode alterar o ciclo circadiano e enfraquecer o sistema imunológico, tornando os pets mais suscetíveis a doenças respiratórias", afirma a especialista. Segundo ela, o aumento da ingestão calórica, associado à menor atividade, também contribui para o ganho de peso e suas consequências. O ambiente é outro fator de atenção. Durante o outono, cresce a presença de alérgenos, como pólen e mofo, o que pode desencadear ou intensificar quadros alérgicos, sobretudo em animais sensíveis. Para minimizar os impactos, a recomendação é manter o ambiente limpo e ventilado, estimular atividades físicas, mesmo dentro de casa, e monitorar o peso dos animais. O acompanhamento veterinário também é essencial, tanto para prevenir quanto para controlar problemas respiratórios e alérgicos. A alimentação merece cuidado. Ajustes na dieta devem ser feitos apenas com orientação profissional, levando em conta as necessidades específicas de cada animal. "O tipo e a quantidade de ração podem ser adaptados de acordo com o gasto energético durante a estação", orienta Beatriz. Outro aspecto típico do período é a troca de pelagem, mais evidente em cães. A queda de pelos tende a se intensificar, exigindo escovação frequente para evitar nós, acúmulo de sujeira e possíveis problemas dermatológicos. De forma geral, a transição para o outono pede atenção e manejo preventivo. Manter estímulos físicos e mentais, controlar a alimentação e observar mudanças no comportamento são medidas simples que ajudam a garantir a saúde e o bem-estar dos pets ao longo da estação.
Go to News Site