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Flávio tenta reaproximar Eduardo e Michelle e atua para conter críticas de Carlos e Jair Renan a aliados | Collector
Flávio tenta reaproximar Eduardo e Michelle e atua para conter críticas de Carlos e Jair Renan a aliados
Jornal O Globo

Flávio tenta reaproximar Eduardo e Michelle e atua para conter críticas de Carlos e Jair Renan a aliados

O senador Flávio Bolsonaro passou os últimos dias tentando conter a escalada de tensões dentro da família Bolsonaro e evitar que o comportamento do irmão Eduardo Bolsonaro, hoje fora do país, reverbere entre os demais integrantes do grupo. Segundo interlocutores, a avaliação no entorno do senador é que, diante da situação no exterior, Eduardo tem atuado de forma mais autônoma e, por isso, precisa ser “contido” para não contaminar a pré-campanha. Nesse contexto, Flávio passou a atuar diretamente com Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro para evitar que ambos ampliem conflitos nas redes sociais. A orientação é não reagir a provocações e não “entrar na pilha” de Eduardo. A leitura foi reforçada pelo próprio senador em entrevista na segunda-feira. — Dos irmãos, converso com Eduardo sempre. Às vezes é preciso segurar uma onda aqui e ali. Ele está fora do país, passa por uma situação complicada e fica indignado. Mas não é inteligente esse tipo de postura agora — afirmou ao podcast Inteligência LTDA. A partir desse diagnóstico, Flávio passou a atuar em outras frentes para conter o desgaste interno. Uma delas envolve a tentativa de reaproximação entre Eduardo e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo interlocutores, Michelle condicionou um maior engajamento à frente da campanha a um pedido de desculpas público do enteado. A cobrança ocorre após uma sequência de episódios que desgastaram a relação. De acordo com aliados, a ex-primeira-dama se sentiu exposta por cobranças públicas feitas por Eduardo a nomes da direita para que se engajassem na campanha. O incômodo aumentou após o episódio do CPAC, quando o deputado afirmou ter produzido um vídeo para o pai, que cumpre prisão domiciliar. Isso foi interpretado no entorno de Michelle como uma exposição direta da ex-primeira-dama, por ser ela a única com acesso ao ex-presidente com celular dentro de casa. O desgaste foi ampliado por ataques de aliados de Eduardo nas redes sociais, entre eles o influenciador Allan dos Santos, sem que houvesse uma reação pública do deputado. No entorno da ex-primeira-dama, a avaliação é de que o silêncio contribuiu para aprofundar a crise. A tentativa de reaproximação ganhou força após um outro foco de tensão, desta vez envolvendo Eduardo e o deputado Nikolas Ferreira. A briga começou depois de Eduardo afirmar, nas redes sociais, que Nikolas compartilhava conteúdos de perfis que não declaravam voto em Flávio. O deputado mineiro reagiu com ironia, e Eduardo respondeu dizendo que não havia “limites para o desrespeito” com a família Bolsonaro. Após o episódio, Flávio entrou diretamente na articulação e colocou os dois para conversarem por telefone. Segundo interlocutores, a orientação foi encerrar o conflito e evitar novos desdobramentos públicos. A tentativa de costurar um gesto público de Eduardo a Michelle envolve também o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. De acordo com relatos, ele deve tratar diretamente do tema com o deputado na próxima semana, durante agenda nos Estados Unidos, e reforçar a necessidade de um movimento de pacificação. Nos bastidores, aliados de Flávio admitem incômodo com a postura recente de Eduardo e avaliam que os episódios deixaram de ser pontuais. A leitura é de que, sem coordenação, conflitos internos podem comprometer a estratégia de ampliação da pré-campanha. No entanto, aliados reconhecem que Eduardo Bolsonaro pode continuar protagonizando episódios desse tipo, já que está no exterior e tem apostado todas as fichas na eleição do irmão.

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