Jornal O Globo
As idas e vindas do governo sobre o envio de uma nova proposta para o fim da escala 6x1 geraram incômodo dentro da base aliada no Congresso. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou nesta quarta-feira que a falta de definição causou “certo constragimento” devido à indefinição sobre o envio de um projeto de lei com urgência sobre o mesmo tema que trata uma outra PEC que já tramita na Casa. A declaração ocorre após uma sequência de versões conflitantes sobre o tema. Na véspera, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o governo teria desistido de enviar um projeto próprio sobre o fim da jornada 6x1 e optado por apoiar propostas já em tramitação na Casa. — O que aconteceu ontem, eu acho que foi até constragedor. Mas acredito que governo e Hugo precisam se entender e tomar uma decisão — afirmou. Para Uczai, o governo “precisa tomar uma decisão”. — Se vai encaminhar, encaminha. E ponto — concluiu. Segundo Motta, a informação foi repassada pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), aos demais líderes partidários durante uma reunião naquela tarde. A fala foi rebatida pelo Palácio do Planalto ainda na noite de terça-feira, que afirmou que o projeto estava em construção e seria enviado ao Congresso. Já nesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista, que o governo pretende encaminhar uma proposta sobre o tema ainda nesta semana. Segundo Uczai, o episódio evidencia a necessidade de maior coordenação entre o Executivo e sua base no Legislativo e o deputado indicou que houve ruído na comunicação e defendeu alinhamento prévio antes de anúncios públicos sobre pautas sensíveis. Nos bastidores, aliados do governo reconhecem que as declarações desencontradas expuseram divergências sobre a estratégia a ser adotada para tratar do tema no Congresso. A avaliação é que o Planalto busca manter protagonismo na discussão, enquanto parte dos parlamentares defende o avanço de propostas já em análise na Câmara. O debate sobre o fim da escala 6x1 tem mobilizado centrais sindicais e ganhou tração política nas últimas semanas, mas ainda enfrenta resistência no Congresso, sobretudo entre setores ligados ao empresariado. O presidente Hugo Motta já declarou que sua intenção é seguir com a trmaitação da PEC, com análise na próxima semana na Comissão de Constituição e Justiça (CJJ) e posterior criação de uma comissão especial para o tema. Já o governo, assim como a bancada, defende que um projeto de lei com urgência seja o melhor caminho para o debate, dada a sensibilidade da matéria e do cronograma previsto para a tramitação. Segundo Uczai, a intenção é discutir um texto enxuto, que preveja a instituição de escala 5x2, em que se trabalha cinco dias por semana e há dois de folga, e a redução da jornada de trabalho para 40 horas. Para ele, uma PEC pode abrir caminho para um “desvirtuamento” do texto, com a inclusão de dispositivos que fujam do objetivo principal do projeto que é o fim da escala 6x1.
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