Jornal O Globo
A Petrobras vai cobrar uma taxa equivalente a aproximadamente 1,23% ao mês sobre o pagamento parcelado do reajuste de 55% aplicado ao querosene de aviação (QAV) neste mês de abril, após o salto no preço do petróleo no mercado internacional puxado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Cessar-fogo entre Irã e EUA: Dólar cai ao menor valor em 22 meses e Bolsa alcança novo recorde Entenda: Pacote do governo vai conter o preço das passagens aéreas? A petroleira já havia anunciado que as distribuidoras poderão parcelar o pagamento do aumento de preço do combustível, quitando 18% no primeiro mês e o restante em seis vezes a partir de julho. Nesta terça-feira, a companhia esclareceu que os valores serão corrigidos a uma taxa de 108% do CDI, o que ficaria em 15,82% ao ano ou 1,23% ao mês. Entre as empresas aéreas, o comentário é que essa taxa foi “a surpresa” da medida anunciada pela Petrobras permitindo o parcelamento do reajuste do QAV, de acordo com uma pessoa do setor. A estatal justificou ter adotado o parcelamento do reajuste como forma de preservar a demanda pelo combustível e “mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado.” E informou que o mesmo mecanismo poderá ser adotado também em relação a reajustes de maio e junho, mas ainda com parâmetros a serem calculados. Initial plugin text Nesta quarta-feira, a Petrobras explicou em nota que as taxas que serão aplicadas no parcelamento do reajuste do querosene de aviação não visam o lucro, buscando “a neutralidade financeira para a companhia, bem como a redução dos efeitos do reajuste no mercado”. Segundo a Petrobras, na maioria dos casos, o patamar de remuneração ficará em torno de 108% do CDI. É que esse percentual costuma variar conforme o risco de cada cliente. Uma série de medidas estão sendo adotadas desde a escalada do conflito no Oriente Médio e a paralisação do Estreito de Ormuz. Na terça-feira, o presidente Donald Trump afirmou ter alcançado um acordo de cessar-fogo por um período de duas semanas com o Irã, o que fez o preço do petróleo despencar. O combustível representa 40% do custo operacional das companhias aéreas brasileiras, de acordo com dados da Abear, associação que representa o setor. Para se ter uma ideia do que isso representa no caixa, a Azul explicou em sua apresentação de resultados de 2025 que o QAV equivale a 30% de suas despesas, e que, para compensar um aumento de 10% no preço do querosene, seria preciso elevar em 2,5% a receita total da companhia. Levantamento feito pelo J. P. Morgan, mostra que desde a eclosão do conflito no Oriente Médio, no início de março, o preço médio das passagens de Latam, Gol e Azul subiu 31% na comparação com o mês anterior e em 22% ante a um ano atrás. O governo brasileiro avança em medidas para conter a alta dos combustíveis em pleno ano de eleições presidenciais. Vai zerar o PIS/Cofins que incide sobre o QAV, com estimativa de redução de R$ 0,07 no preço final do combustível de aviação. Haverá ainda postergação do pagamento de tarifas de navegação aeroportuária. E linhas de crédito com perto de R$ 9 bilhões em recursos para as companhias aéreas em reestruturação financeira e capital de giro.
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