Jornal O Globo
Cotado para disputar o governo de Minas Gerais em outubro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB) subiu o tom contra a gestão do ex-governador Romeu Zema, criticando o tempo de entrega das obras em hospitais regionais. Durante um discurso na tribuna do Senado ontem, em razão do Dia Mundial da Saúde, o parlamentar classificou o estado das construções como "um desperdício de recursos" e disse que elas são alvo de uma "paralisação crônica". — Outro ponto sensível é a paralisia crônica nas obras dos hospitais regionais. Essas obras deveriam ser os pilares da descentralização da saúde mineira, mas tornaram-se símbolos de ineficiência e desperdício de recursos. Essa lacuna estrutural sobrecarrega os grandes centros e força uma dependência de consórcios intermunicipais que nem sempre garantem a continuidade do cuidado — afirmou o senador. Na ocasião, também disse que a gestão da saúde no estado é "uma missão que exige planejamento científico, investimento estratégico e regionalização responsável" e afirmou que essas medidas seriam uma forma de "justiça distributiva". Em resposta, Simões comentou a declaração durante uma entrevista coletiva em Belo Horizonte no final da tarde de ontem, atribuindo o atraso nas entregas à gestão do antecessor de Zema, ex-governador Fernando Pimentel (PT). — Quem falou no plenário do Senado foi o candidato do Pimentel? O que parou as obras? Rodrigo Pacheco? É muita desfaçatez, né? Eu vou convidar o senador Rodrigo Pacheco a visitar Minas Gerais, ele vem pouco ao estado, se ele vier, ele vai ver obras andando, diferente das obras daquele que o apoia ao governo do estado — afirmou Simões. Os dois podem se enfrentar na disputa pelo comando do estado em outubro deste ano, a depender da decisão de Pacheco se sairá candidato. O senador é visto como a opção mais viável pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a construção de um palanque forte governista em Minas, mas tem deixado em aberto a hipótese de estar no pleito. Dentro da janela partidária, Pacheco deixou o PSD, que tem Simões como candidato, e migrou para o PSB, em um movimento visto por interlocutores como uma medida que o confere abertura para decidir se concorrerá ou não. Já Simões disputará a eleição no cargo de governador, uma vez que assumiu o comando do estado após a renúncia de Zema, que se desincompatibilizou para concorrer à Presidência. Para sair candidato, Mateus também tem atuado para fechar a composição de sua chapa. Uma das vagas estava prevista para o PL, seguindo, de acordo com o governador, um pedido feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antes de ser preso no ano passado. A sigla, no entanto, tem considerado o lançamento de uma candidatura própria e decidiu filiar na semana passada o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Antes prevista para o PL, a indicação para a vaga na chapa de Simões também poderá ficar com o senador Carlos Viana, ex-presidente da CPMI do INSS e filiado ao PSD na semana passada para buscar a reeleição. Já a segunda vaga para o Senado ficará com o ex-secretário de Estado de Minas, Marcelo Aro (PP). Em paralelo, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) também deixa em aberto a possibilidade de entrar na disputa pelo governo estadual, mas tem articulado por conta própria o desenho de uma chapa própria. O parlamentar já demonstrou preferência pela indicação de Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), para a vice na composição. Cleitinho também filiou recentemente o irmão e ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, ao Republicanos como um novo quadro da sigla para concorrer ao Senado. Antes, Gleidson estava filiado ao Novo e chegou a ser considerado para ocupar a vice de Simões, em um gesto que aproximaria o governador ao senador.
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