Collector
É Tudo Verdade apresenta safra de documentários que pensam a si mesmos e retratam dramas do presente, da Ucrânia à Palestina | Collector
É Tudo Verdade apresenta safra de documentários que pensam a si mesmos e retratam dramas do presente, da Ucrânia à Palestina
Jornal O Globo

É Tudo Verdade apresenta safra de documentários que pensam a si mesmos e retratam dramas do presente, da Ucrânia à Palestina

Diretor-fundador do É Tudo Verdade, cuja 31ª edição começa nesta quinta-feira (9) no Rio e em São Paulo, Amir Labaki explica que a produção documental costuma se dividir em três linhas básicas. A primeira é herdeira do Cinema Direto dos anos 1950 e 1960 e busca registrar objetivamente a realidade enquanto ela acontece. Outra vertente constrói a narrativa a partir de registros históricos, como imagens e filmes de arquivo. E, por fim, há aquelas produções que pensam a si mesmas, que questionam e reinventam a forma documental em seu esforço de retratar a complexidade dos eventos. Em 'O Mago do Kremlin', Olivier Assayas retrata ascensão de Putin: 'Ele encarna uma nova forma de totalitarismo' 'Clube da Luta' faz 30 anos: 'Culpam ele pelo Antifa, por Donald Trump, pelo movimento incel, por qualquer coisa', diz autor — São filmes em que a questão da reflexividade, do próprio fazer do documentário, está muito presente. Você assiste e percebe que a elaboração estética e intelectual necessária para fazer aquela obra foi se sofisticando durante o processo de produção. Isso marca vários dos filmes deste ano — diz Labaki. Em cartaz até o dia 19, o É Tudo Verdade vai ocupar quatro salas na capital paulista e três no Rio para projetar 75 filmes de 25 países. Todas as sessões são gratuitas. A programação se divide em mostras competitivas (com longas ou médias-metragens de um lado e curtas do outro) nacionais e internacionais, além das mostras Programas Especiais, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano e Clássicos É Tudo Verdade. Pela primeira vez, haverá também uma programação infantil, o É Tudinho Verdade. Cena do filme "Baisanos", na programação do É Tudo Verdade Reprodução Ontem, na sessão de abertura, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a programação tinha “Bowie: o ato final”, do britânico Jonathan Stiasny. Hoje, na abertura carioca, no Estação NET Rio, será projetado “Vivo 76”, do pernambucano Lírio Ferreira, que celebra os 50 anos do show e do disco “Vivo!”, de Alceu Valença. Na programação, não faltam títulos que abordam dramas do presente, como as guerras, os ataques à democracia, a precarização do trabalho, a crise climática e a defesa das mulheres e das culturas africanas e indígenas. Na mostra O Estado das Coisas, será exibido o filme “Crianças no fogo”, de Evgeny Afineevsky, diretor indicado ao Oscar em 2016 por “Inverno em chamas: a luta da Ucrânia pela liberdade”. Em seu novo filme, Afineevsky dá voz a oito crianças ucranianas, sobreviventes de ataques russos, e recorre a imagens em live-action e animações para compor a narrativa. Na mesma mostra, o curta “Baisanos”, de Andrés Khamis Giacoman e Francisca Khamis Giacoman, explora possibilidades de resistência ao acompanhar torcedores Club Desportivo Palestino, time de futebol fundado em 1920, no Chile. De olho no Oscar Este ano, a retrospectiva do É Tudo Verdade é dedicada à cineasta Vivian Ostrovsky, que completou 80 anos em novembro. Nascida em Nova York, ela passou a infância no Rio e mais tarde estudou em Paris. A programação inclui 14 filmes da diretora, como “Copacabana Beach”, retrato bem-humorado do que acontece no calçadão, e “Elizabeth Bishop: from Brazil with love”, sobre o período que a poeta americana viveu no país, entre as décadas de 1950 e 1970. Também será exibido um curta inédito sobre a diretora: “V.O por F.P”, de Fernanda Pessoa. — Vivian Ostrovsky é um exemplo de diretora que trabalha na fronteira entre o documental e o experimental. Suas obras misturam filmes caseiros e arquivos públicos para tratar dos temas mais cotidianos e fazer grandes retratos de momentos históricos — diz Labaki. A cerimônia de premiação do É Tudo Verdade está marcada para o dia 18, às 19h, na Cinemateca Brasileira. Todos os títulos premiados serão projetados no dia seguinte, em sessões especiais no Rio e em São Paulo. Desde 2018, o É Tudo Verdade garante que os filmes vencedores das mostras competitivas sejam elegíveis ao Oscar.

Go to News Site