Jornal O Globo
Milhares de iranianos prestaram homenagem nesta quinta-feira ao falecido líder supremo Ali Khamenei, que governou o país durante quase quatro décadas até sua morte em um ataque dos Estados Unidos e de Israel no início da guerra no Oriente Médio. Entenda: Cessar-fogo foi anunciado como vitória por EUA e Irã, mas é possível apontar um vencedor? Impasse: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã, enquanto Paquistão recebe denúncias de violações Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi nomeado sucessor, mas não foi visto em público desde antes da guerra, e parece pouco provável que esteja presente nas cerimônias realizadas nesta quinta-feira em todo o país. Imagens divulgadas pela televisão estatal mostram multidões em concentrações com retratos do líder em cidades como Urmia, Gorgan e na capital, Teerã. Iranianos homenageiam Ali Khamenei Reprodução A homenagem nacional começou às 09h40 (06h10 GMT), horário em que Khamenei morreu em 28 de fevereiro, em sua residência na capital iraniana, junto com numerosos altos funcionários do país. Morte marcou início da guerra O ataque que matou Khamenei marcou o início da guerra no Oriente Médio, que se espalhou pela região, com represálias do Irã contra interesses americanos no Golfo e ataques a Israel. Iranianos homenageiam Ali Khamenei Reprodução/BBC Na terça-feira, Washington e Teerã chegaram a um cessar-fogo de duas semanas, considerado frágil por analistas e autoridades. Devido ao conflito em curso, ainda não foi realizado um funeral de Estado para o líder iraniano. Reaproximação diplomática No campo diplomático, Irã e Arábia Saudita retomaram contato direto pela primeira vez desde o início do conflito. O ministro saudita das Relações Exteriores, Faisal bin Farhan, conversou por telefone com seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, em um movimento que sinaliza tentativa de reabertura de canais entre potências rivais da região. Na Europa, a Espanha anunciou que reabrirá sua embaixada em Teerã, fechada desde março por causa da guerra. Segundo o chanceler José Manuel Albares, a decisão busca contribuir, "a partir da própria capital do Irã, para esse esforço pela paz". Já a França rejeitou a possibilidade de cobrança de pedágio no estreito de Ormuz, ideia mencionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Não, não é aceitável porque a liberdade de navegação em águas internacionais é um bem comum, um bem comum da humanidade — afirmou o ministro Jean-Noël Barrot. Risco ao cessar-fogo Reino Unido e França também pressionaram por ampliação do cessar-fogo ao Líbano, após ataques israelenses em Beirute que deixaram ao menos 203 mortos, segundo o Ministério da Saúde libanês. A ministra britânica Yvette Cooper disse estar "profundamente preocupada", enquanto Barrot classificou os ataques como "intoleráveis" e afirmou que a França se soma ao luto nacional libanês. Apesar da trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, a situação segue instável. O presidente Donald Trump afirmou que as forças americanas permanecerão posicionadas perto do Irã até que seja cumprido um "acordo real". "Todos os navios, aeronaves e efetivos militares dos Estados Unidos, com munição adicional, armamento e qualquer outro elemento apropriado e necessário para a perseguição letal e destruição de um inimigo já substancialmente degradado, permanecerão em sua posição em, e perto do, Irã até o momento em que se cumpra plenamente o ACORDO REAL alcançado", escreveu Trump. ONU alerta para risco A ONU alertou para o risco de colapso do cessar-fogo. Segundo o secretário-geral António Guterres, a atividade militar israelense "em curso no Líbano representa um grave risco para o cessar-fogo" e compromete "os esforços para alcançar uma paz duradoura e ampla na região". No terreno, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel em resposta a uma suposta "violação" da trégua. O grupo disse ter atingido a "zona de Manara [do outro lado da fronteira com Israel] com uma chuva de foguetes às 02h30 de quinta-feira". O aumento da tensão também afeta o transporte marítimo global. A Guarda Revolucionária do Irã orientou navios a utilizarem rotas alternativas no estreito de Ormuz, citando risco de "minas" na via habitual. A chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Líbano, Agnes Dhur, afirmou que a organização está "indignada com a devastadora perda de vidas e a destruição" provocadas pelos ataques israelenses em áreas densamente povoadas do país.
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