Jornal O Globo
Hulk, um pastor-belga malinois de 4 anos, é um dos principais cães farejadores do Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Rio — e foi o responsável por localizar o esconderijo de uma carga recorde de 48 toneladas de maconha na Maré. Doado ainda filhote à corporação, ele começou a ser treinado aos seis meses de idade e, desde então, construiu uma rotina marcada por disciplina, estímulos constantes e uma ligação direta com o sargento Wildemar de Oliveira, responsável por conduzi-lo nas operações. Qual foi o prêmio que o cão Hulk da PM ganhou por encontrar 48 toneladas de maconha na Maré? Droga encontrada por cão farejador na Maré seria distribuída para mais de mil favelas do Comando Vermelho no Estado do Rio Conhecido dentro do batalhão pelo comportamento agitado e pela resposta rápida aos comandos, Hulk acumula mais de 200 atuações na localização de drogas e armamentos. O desempenho é resultado de um treinamento contínuo, baseado na repetição e na associação entre o faro e recompensas — geralmente simples, como seu brinquedo favorito: uma bolinha de tênis. — Ele está há quatro anos com a gente, é muito agitado. Já participou de várias apreensões, mas esta, sem dúvida, é a mais importante até agora — afirmou o sargento. No Batalhão de Ações com Cães, onde cerca de 80 animais integram o efetivo, Hulk se destaca pela precisão ao indicar pontos suspeitos, mesmo quando não há sinais aparentes para os agentes. O faro dos cães é considerado até mil vezes mais sensível que o humano, o que permite identificar substâncias escondidas em compartimentos fechados, estruturas concretadas ou áreas de difícil acesso. A rotina do animal inclui treinos regulares, alimentação controlada e participação em operações em diferentes regiões do estado. Fora do trabalho, os momentos de descanso também seguem um padrão: após grandes ações, Hulk costuma ganhar mais tempo para brincar, forma usada pelos policiais para aliviar o estresse e manter o estímulo do animal. Chefe do tráfico em favela onde foram apreendidas 48 toneladas de maconha, Motoboy tem mais de 300 anotações criminais — A recompensa deles é o brinquedo. Quando vêm de grandes apreensões, a gente deixa que eles fiquem mais tempo com a bolinha, por exemplo. Como o instinto de caça deles é bem alto, acabam destruindo o brinquedo porque querem muito ele. E também é uma forma de eles desestressarem — explicou o sargento do BAC. A atuação recente em uma apreensão recorde de drogas colocou Hulk em evidência dentro da corporação, e o comando do batalhão avalia formas de homenageá-lo. Prêmio de Hulk por encontrar 48 toneladas de maconha Escondida dentro de uma cisterna em uma laje de uma construção abandonada, na comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré, a carga passou despercebida pelos agentes, mas não ao faro de Hulk. Quando passava pelo local junto aos militares, ele começou a ficar inquieto, deixando os agentes desconfiados. Cão farejador encontra quase 50 toneladas de maconha no Complexo da Maré — Os agentes estavam verificando a área, mas estava tudo vedado, concretado. Só que quando o Hulk começou a farejar, ele ficou muito agitado, mudou o comportamento. Os agentes desconfiaram, começaram a quebrar o concreto da cisterna e encontraram a droga — contou o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro Barbosa. Dentro da estrutura, os agentes localizaram uma espécie de bunker improvisado, onde estavam armazenados mais de 20 mil tabletes de maconha, com peso entre 1 kg e 1,5 kg, embalados em sacos plásticos e caixas de papelão. Da raça pastor-belga malinois, Hulk foi doado à corporação por um militar que não tinha tempo nem espaço para cuidar do animal. Desde então, participa de treinamentos constantes na sede do batalhão. O sargento Oliveira conta que o cão já era destaque da corporação por conta da participação em outras operações. — Ele participa das ações há dois anos. Já participou de várias apreensões, mas essa, sem dúvida, é a mais importante até agora. Como é o treinamento de um cão do BAC? A rotina dos cães do BAC inclui treinamentos desde os seis meses de vida. O processo de formação dura, em média, entre um ano e meio e dois anos, período após o qual os animais passam a atuar em operações. — Muita gente acha que o cão tem contato direto com a droga, mas não tem. Eles conseguem identificar partículas mínimas de odor — explicou o comandante. Os cães farejadores costumam se aposentar por volta dos 8 anos de idade e, na maioria dos casos, são adotados pelos próprios condutores. — Criamos um vínculo muito forte. Tenho espaço em casa e, quando ele se aposentar, vou adotá-lo — afirmou o sargento Wildemar de Oliveira.
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