Jornal O Globo
A mulher morta durante uma abordagem da Polícia Militar na Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, esperou cerca de 32 minutos pelo resgate após ser baleada, na madrugada da última sexta-feira (3), e o caso ainda apresenta uma série de lacunas na investigação sobre a atuação dos agentes e a dinâmica da ocorrência. Câmera corporal contradiz versão de PMs sobre abordagem que levou a morte de mulher na Zona Leste de SP Decolagens são retomadas após pane que suspendeu voos em aeroportos de São Paulo Imagens de câmera corporal mostram que a abordagem começou por volta das 2h58, quando a viatura entrou na Rua Edimundo Audran. Após a discussão com o casal, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, efetuou o disparo contra Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos. O atendimento médico só chegou às 3h30. Durante esse intervalo, o policial que dirigia a viatura tentou prestar os primeiros socorros. Ainda assim, um dos pontos que passam a ser analisados é o tempo entre o disparo e a chegada do atendimento, além de quando, exatamente, o socorro foi acionado. Versões conflitantes e pontos em aberto A investigação também busca esclarecer contradições sobre o início da abordagem. As imagens indicam que o retrovisor da viatura atingiu o braço do marido da vítima, o que deu início à discussão. A partir daí, há versões divergentes. estemunhas e familiares afirmam que Thawanna não iniciou agressão e que a policial desceu da viatura já em confronto com a vítima antes do disparo. "Chegou oprimindo ela, deu um chute. Nisso que ela deu um chute, o policial estava com a mão na minha cabeça, com olhos arregalados. Teve disparo. Eu pensei que era bala de borracha", disse o marido à TV Globo. Já a versão apresentada pelos policiais no boletim de ocorrência sustenta que o casal discutiu com a equipe, apresentava sinais de embriaguez e que Thawanna teria partido para cima da soldado, desferindo tapas, incluindo um no rosto. A policial afirma que o disparo ocorreu ao tentar se defender. Outro ponto que ainda não está claro é a atuação da equipe após o tiro. As imagens mostram que uma segunda viatura chegou ao local poucos minutos depois, enquanto o resgate demorou mais de meia hora. A ausência de câmera corporal na farda da policial que efetuou o disparo — por ser recém-formada — também limita a reconstituição completa dos fatos. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e também é alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM). Os policiais envolvidos foram afastados das funções operacionais. "A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informa que a ocorrência foi registrada no 49º Distrito Policial e encaminhada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz investigação independente sobre os fatos. Os policiais envolvidos foram afastados de suas funções e a PM que realizou o disparo teve a arma apreendida. O caso também é alvo de Inquérito Policial Militar (IPM), onde inclusive, são apuradas as oitivas de outros agentes que foram acionados para prestarem apoio. As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias. As investigações incluem a oitiva de testemunhas, análise de imagens captadas por câmeras corporais e a elaboração de laudos periciais, que já integram o conjunto probatório. A SSP reforça que toda irregularidade é rigorosamente apurada e punida nas esferas administrativa e criminal e reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da vida."
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