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Alexa Demie provoca debate sobre aparência e o que pode explicar as mudanças percebidas
Jornal O Globo

Alexa Demie provoca debate sobre aparência e o que pode explicar as mudanças percebidas

A volta de Alexa Demie (35) ao tapete vermelho, durante a première de "Euphoria", recolocou em cena um fenômeno conhecido no universo das celebridades: o olhar atento, e muitas vezes crítico, sobre a imagem feminina. Nas redes sociais, comentários sobre o rosto e o corpo da atriz se multiplicaram, com comparações diretas a registros do início da série, em 2019. De vendedor de praia a promessa da moda: conheça o jovem do Senegal que vai estrear nas passarelas do Rio De lojinha de bijuterias à moda internacional: quem é Mariane Godoy e como ela construiu carreira fora do país O episódio traz de volta uma discussão recorrente: até que ponto o rosto realmente muda ao longo dos anos e por que essas transformações ainda causam estranhamento? Especialistas apontam que, embora sutis, essas alterações são esperadas e fazem parte de um processo que vai além de intervenções estéticas. Para o cirurgião plástico Yuri Moresco, o momento atual não indica uma redução na procura por procedimentos, mas uma mudança de expectativa. "Os procedimentos continuam sendo muito procurados, mas hoje existe uma cobrança maior por naturalidade. Quando a intervenção altera demais a anatomia do rosto, o público estranha, porque a identidade daquela pessoa parece se perder", afirma. Segundo ele, o segredo está no equilíbrio: "A harmonização bem feita respeita proporções, estrutura óssea e expressões. O excesso é o que chama atenção negativamente." Essa busca por resultados mais discretos também é destacada pela cirurgiã-dentista Amanda Santos, especialista em harmonização facial. "O foco atual é preservar a identidade. Trabalhar com doses menores, intervenções graduais e análise completa da face evita mudanças bruscas e resultados artificiais. A tendência hoje é parecer bem, não parecer que fez", explica. Mudou mesmo? Especialistas explicam as transformações no rosto de Alexa Demie Getty Images Ainda assim, atribuir todas as mudanças à intervenção estética pode ser um equívoco. O médico Guilherme Scheibel, especialista em rinoplastia, chama atenção para o impacto de alterações naturais. "A rinoplastia pode promover mudanças significativas, mas, quando bem indicada, busca resultados naturais. Pequenas alterações já impactam todo o rosto", observa. Há, ainda, fatores externos que influenciam diretamente a percepção dessas diferenças. O otorrinolaringologista e cirurgião plástico facial André Baraldo ressalta elementos frequentemente desconsiderados nas comparações. "Ângulo de foto, iluminação, maquiagem e até filtros podem modificar completamente a forma como o rosto é percebido. Nem sempre há um procedimento por trás dessas mudanças que as pessoas apontam", diz. Na avaliação da cirurgiã-dentista Thais Moura, a própria evolução das técnicas contribui para a sensação de estranhamento. "A harmonização moderna trabalha com ajustes estratégicos, respeitando proporções e individualidades. Muitas vezes, o que muda é o equilíbrio do rosto, e não um traço isolado. Isso pode causar estranhamento em quem acompanha aquela imagem há anos", destaca. Segundo ela, o ambiente digital amplia interpretações distorcidas: "As pessoas analisam fotos antigas sem considerar envelhecimento, variação de peso e qualidade das imagens. Isso abre espaço para teorias irreais." Comparações com 2019 colocam Alexa Demie no centro de debate sobre estética Getty Images Se as mudanças físicas fazem parte de um processo esperado, o impacto emocional da comparação constante também merece atenção. A psiquiatra Jessica Martani alerta para os riscos desse tipo de conteúdo. "A trend não é perigosa por si só, mas pode se tornar delicada quando a pessoa passa a acreditar que o passado era melhor que o presente", alerta. A psicóloga Mariane Pires Marchetti complementa que a nostalgia, quando mal elaborada, pode se tornar um obstáculo. "Ela pode fortalecer identidade, mas, quando vira fuga, impede a pessoa de investir no presente", analisa.

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