Jornal O Globo
É absurdo que o presidente da República se refira a um ministro do STF como “companheiro”, como fez Lula ao comentar sobre o ministro Alexandre de Moraes durante uma entrevista. No entanto, ele trouxe à tona um tema que é falado diariamente na mídia, mas que não havia sido oficialmente mencionado pelo presidente. Todo mundo acha que Alexandre de Moraes não deveria participar da votação do caso Master no STF, exceto o próprio ministro. Embora os conselhos de Lula dados a ele sejam pertinentes, soam como orientações que se oferece pessoalmente a um amigo. Ao dizer isso publicamente, o presidente pretende se distanciar da questão, demonstrando bom senso em relação ao ministro. Vejo esta atitude não como uma ajuda; parece mais um esforço para se desvincular da crise do STF, especialmente da situação pessoal de Moraes e Toffoli, que estão muito próximos dele. O STF se tornou um aliado crucial para Lula no último ano, especialmente considerando que o Congresso é majoritariamente de direita. Contudo, a imagem do STF junto à opinião pública é bastante negativa, o que acaba refletindo no governo. Lula sabe que a repercussão do caso Master é desfavorável ao STF e está afetando o governo. Qualquer pessoa sensata entende que Toffoli e Moraes não estão em condições de julgar qualquer questão relacionada ao Master, uma vez que ambos tiveram vínculos comerciais com o banco. Como pode Moraes decidir sobre uma pessoa com quem falou no dia da prisão? Ele precisa negar estas informações de forma muito clara, como qualquer pessoa que tenha uma suspeita sobre si, porque não está acima de ninguém. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
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