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Isabelle Drummond fala sobre Naiane em 'Coração Acelerado' e aposta na direção com projetos autorais | Collector
Isabelle Drummond fala sobre Naiane em 'Coração Acelerado' e aposta na direção com projetos autorais
Jornal O Globo

Isabelle Drummond fala sobre Naiane em 'Coração Acelerado' e aposta na direção com projetos autorais

Depois de quase sete anos afastada das novelas, Isabelle Drummond retornou ao horário das sete da TV Globo como protagonista de "Coração Acelerado". A volta não marca apenas um reencontro com o folhetim, mas também uma inflexão em sua trajetória artística. Conhecida por personagens solares e heroínas clássicas, a atriz assmiu agora Naiane, uma influenciadora ambiciosa e antagonista, figura moldada por fama, validação e excesso. Bárbara Reis avalia desafios da personagem em 'Três Graças', fala sobre maternidade e congelamento de óvulos: 'Decisão consciente, sem drama' Carla Diaz encarna vilã em nova novela e destaca: 'Gosto de transitar entre diferentes linguagens porque cada uma me desafia' O papel simboliza uma nova fase, mais autoral, mais arriscada e consciente das próprias escolhas. "Voltar às novelas foi como reencontrar um ritmo muito próprio. A novela exige presença diária, escuta e um envolvimento coletivo muito intenso. Mesmo tendo trabalhado em outros formatos nesse intervalo, como teatro, cinema e projetos autorais de direção, senti falta dessa troca contínua com o público e com a equipe. Esse tempo fora me trouxe consciência de processo e um olhar mais amplo", afirma ao O GLOBO. O intervalo longe da TV foi preenchido por experiências no cinema, no teatro e atrás das câmeras. Dirigir, conta, foi decisivo para ampliar sua compreensão do fazer artístico. "Esse momento veio com o tempo e com a experiência. Dirigir foi um divisor importante para mim. Quando passei a entender o set como um organismo inteiro, com todos os seus departamentos e ritmos, ganhei mais segurança para arriscar. Hoje, me sinto confortável em sair do lugar esperado, porque confio mais no meu repertório e na minha escuta artística", diz. Em cena, o desafio é dar densidade a uma personagem que espelha tensões contemporâneas. "O maior desafio é não simplificar. A Naiane vive num universo muito reconhecível hoje, mas ela não pode ser reduzida a um rótulo. Ela é vilã, sim, mas é complexa, ambiciosa, cheia de contradições. O cuidado foi não julgar a personagem e não cair em caricaturas. A vilania dela nasce de excesso, não de carência. Isso exige um trabalho emocional muito atento para que o público se incomode, mas também se envolva", destaca Isabelle. A maturidade também se reflete na maneira como escolhe seus projetos. "Ela me trouxe tranquilidade. Aprendi a dizer 'sim' para projetos que realmente fazem sentido artístico e pessoalmente. A pressão externa sempre existe, mas hoje tenho mais clareza sobre o que quero investigar como atriz e criadora. Isso torna o caminho mais coerente e menos ansioso", observa. De heroína a antagonista: Isabelle Drummond marca retorno às novelas e mira novos desafios Divulgação Paralelamente à novela, Isabelle desenvolve trabalhos no audiovisual, incluindo a cinebiografia de Laura Alvim. O interesse por narrativas femininas que atravessam o tempo é um fio condutor. "Me interesso muito por mulheres que romperam estruturas e desafiaram o seu tempo. Essas histórias ajudam a iluminar questões que ainda estão muito presentes hoje. A arte tem esse poder de criar pontes entre épocas, de provocar reflexão sem ser panfletária. Laura Alvim é uma figura que convida à escuta e ao questionamento", relata. A criação e a direção surgiram como desdobramento natural de sua trajetória. "Criar e dirigir foi um desdobramento muito natural da minha trajetória, porque eu passei a vida inteira observando o set de dentro, entendendo tempos, silêncios, relações e escolhas. No curta que lancei recentemente ao lado da Vera Holtz, inspirado na poesia da Hilda Hilst, esse desejo ficou ainda mais claro da importância de pensar a obra como um todo, da palavra à imagem, do corpo à atmosfera. A direção me atrai justamente por isso, por me permitir cuidar da narrativa e do impacto emocional da história", explica. O primeiro filme de sua nova série autoral é protagonizado por Vera Holtz, com direção de Denise Saraceni, e parte de textos de Hilda Hilst. A proposta é levar literatura e poesia às redes sociais, distanciando-se da lógica acelerada das tendências digitais. "A ideia nasceu do desejo de levar literatura, poesia e arte para as redes sociais de forma sensível e autoral. Queria criar algo que fugisse das trends e apostasse na profundidade. O encontro com a Vera, dirigido pela Denise Saraceni, simboliza muito isso porque é um encontro geracional artístico e livre", acrescenta. O projeto também prevê novos encontros, como o desejo de trabalhar com Nathália Timberg. "Os curtas nascem de um desejo muito claro de encontro e de diálogo entre gerações. Existe um fio condutor que passa pelo tempo e pelo que cada corpo carrega de experiência. Já realizamos esse encontro com a Vera Holtz e estamos com a ideia de fazer também com a Nathália Timberg, justamente por admiração às trajetórias e à força que essas mulheres trazem para a cena. Me interessa criar obras em que as atrizes interpretem, mas também ampliem o sentido da narrativa com a própria presença, criando um diálogo vivo", detalha. Isabelle Drummond Divulgação Ao refletir sobre a transformação das personagens femininas na televisão desde o início de sua carreira, marcada por papéis como Emília e Cida, a atriz reconhece avanços: "Eu sinto uma mudança muito clara. Quando olho para personagens como a Emília ou a Cida, elas já carregavam uma força simbólica enorme para a época, mas hoje percebo que as mulheres em cena ganharam mais camadas, mais contradições e mais direito à complexidade. A TV e o cinema passaram a abrir espaço para personagens femininas que não precisam ser exemplares o tempo todo, que podem errar, ser ambíguas, intensas. Interpretar agora uma personagem mais densa e menos óbvia é também um reflexo dessa evolução, tanto do mercado quanto do olhar do público." Discreta nas redes, mesmo com milhões de seguidores, Isabelle afirma ter aprendido a estabelecer limites. "Com o tempo eu aprendi que ser pública não significa ser totalmente exposta. Cresci diante das câmeras e isso me fez entender, ainda muito nova, a importância de criar limites para me preservar emocionalmente. As redes sociais são uma ferramenta potente de diálogo, mas compartilho aquilo que faz sentido para o meu trabalho e para o momento que estou vivendo, sem transformar minha vida pessoal em espetáculo", conclui.

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