Revista Oeste
O aumento expressivo da inflação em março refletiu os efeitos da guerra no Irã sobre o mercado de energia, o que provocou elevação nos preços ao consumidor nos Estados Unidos. Dados do Bureau of Labor Statistics divulgados nesta sexta-feira, 10, apontaram que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,9% em relação ao mês anterior e acumula alta de 3,3% nos últimos 12 meses, acima dos 2,4% registrados no período anterior. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste O crescimento mensal e anual do CPI ficou alinhado com as projeções dos economistas consultados pela LSEG, conforme divulgou a Fox Business. Os chamados preços “core”, que desconsideram itens voláteis como alimentos e combustíveis, tiveram alta de 0,2% no mês e de 2,6% em 12 meses, levemente abaixo das expectativas, que eram de 0,3% e 2,7% respectivamente. Impacto do fechamento do governo e metodologia do BLS As leituras do núcleo da inflação mostraram leve aceleração frente a fevereiro, quando os aumentos haviam sido de 0,2% no mês e 2,5% no acumulado anual. Economistas destacam que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os dados de inflação sofrem influência da interrupção na coleta motivada pelo fechamento do governo no último outono, que durou 43 dias. Durante o período em que os funcionários públicos ficaram impedidos de coletar informações, o BLS utilizou uma metodologia de projeção para suprir a ausência dos dados de outubro e parte de novembro, o que deve gerar viés de baixa nas estatísticas até a chegada de informações atualizadas nesta primavera. https://www.youtube.com/watch?v=GVUvOyjQLSU O avanço da inflação tem pressionado o orçamento das famílias dos Estados Unidos, sobretudo aquelas de menor renda, que destinam parcela maior da renda para itens essenciais como alimentação e moradia, reduzindo sua margem de manobra financeira diante das altas de preços. Variação nos preços de alimentos e energia Em março, os preços dos alimentos permaneceram estáveis em relação a fevereiro, mas registram alta de 2,7% em doze meses. O índice de alimentos para consumo em casa recuou 0,2% no mês, acumulando elevação de 1,9% em um ano, enquanto as refeições fora de casa subiram 0,2% e acumulam 3,8% de aumento em doze meses. Os preços de carnes, aves e peixes caíram 0,5% em março, mas superam em 5,6% o patamar de um ano atrás. Carnes bovinas e de vitelo recuaram 0,6% no mês, permanecendo 12,1% acima do valor do ano anterior. O preço dos ovos seguiu em queda depois do surto de gripe aviária, com recuo mensal de 3,4% e redução de 44,7% em doze meses. Frutas e hortaliças subiram 1% em março e acumulam alta de 4% no ano. Os preços de energia dispararam 10,9% em março, impulsionados pelas restrições na oferta de petróleo do Oriente Médio por causa do conflito no Irã, acumulando avanço de 12,5% em doze meses. O BLS informou que a energia foi responsável por quase três quartos do aumento mensal do CPI. Leia também: "Irã não é Venezuela: por que é mais difícil derrubar o regime dos aiatolás" O preço da gasolina saltou 21,2% no mês e 18,9% no acumulado anual. O serviço de gás encanado recuou 0,9% em março, mas subiu 6,4% em doze meses. A conta de eletricidade avançou 0,8% em março, com alta de 4,6% nos últimos doze meses. https://www.youtube.com/watch?v=80jLSyCjZsw Custos com moradia, transportes e repercussão no mercado dos Estados Unidos Os custos com moradia cresceram 0,3% em março e 3% no acumulado anual. Os seguros residenciais e de locatários aumentaram 0,9% no mês e 7,4% em doze meses. Serviços de transporte subiram 0,6% em março e 4,1% em um ano. Manutenção e reparo de veículos tiveram avanço de 1,3% no mês e 6,1% no ano; o seguro automotivo ficou estável em março, mas subiu 0,8% no acumulado anual. Passagens aéreas aumentaram 2,7% no mês e 14,9% em doze meses. “Como esperado, o salto da inflação de hoje refletiu a disparada nos preços da energia”, afirmou Ellen Zentner, estrategista-chefe do Morgan Stanley Wealth Management. “Os mercados podem continuar lidando com a preocupação de que a inflação persista enquanto o petróleo seguir elevado, mas o Fed deve manter uma postura cautelosa, sem optar por aumentos nos juros.” O economista-chefe da LPL Financial, Jeffrey Roach, explicou que “como o estreito de Ormuz ficou fechado por um período prolongado, devemos esperar mais uma ou duas leituras altas da inflação, impulsionadas pelos serviços de transporte e por algumas categorias de bens duráveis. Os efeitos secundários podem adicionar mais 0,2 nos próximos meses. O Fed claramente deve manter a política estável nas próximas reuniões”. Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que “sem o viés de baixa da metodologia do BLS usada para preencher as lacunas de dados durante o fechamento do governo em outubro, estimamos que a inflação do CPI teria sido de 0,3 a 0,4 ponto percentual mais alta”. Ele acrescentou que “um impulso nos preços de energia e alimentos pode elevar a inflação do CPI para 3,6% em abril-maio, com o núcleo do índice temporariamente chegando a 2,9% em maio-junho. Reajustamos nossa projeção para dezembro de 2026 para 3,0% ao ano para a inflação do CPI e estimamos a inflação do núcleo em cerca de 2,6% ao ano”. O post Inflação nos EUA dispara por causa do impacto da guerra no Irã apareceu primeiro em Revista Oeste .
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