Jornal O Globo
Equipes estiveram nas ruas na manhã desta sexta-feira (10) para realizar a Operação Eixo e cumprir, ao todo, 96 mandados — dos quais 40 de prisão e 56 de busca e apreensão — visando uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas e lavagem de capitais. A ação contou com a participação de aproximadamente 200 policiais civis no Distrito Federal e em outros seis estados brasileiros. Crimes em 1 mês: Investigado por duas tentativas de homicídio em Santa Cecília (SC) é preso pela Polícia Civil Investigação: Suspeito de homicídio de piloto de banana boat é preso no ES; vítima reclamou sobre uso de drogas em frente a sua casa Ao longo da operação foram realizadas prisões, algumas delas em flagrante, apreensões de drogas, de armas e munições, veículos de luxo e bloqueios de contas bancárias. No fim da manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) divulgou um balançou atualizado da Operação Eixo realizada horas antes. Sendo ele: 96 mandados emitidos, dos quais 40 mandados de prisão e 56 de busca apreensão 33 mandados de prisão cumpridos 6 prisões em flagrante, dos quais 3 por tráfico de drogas e 3 por posse de arma de fogo apreensão de porções de maconha apreensão de 180 comprimidos de ecstasy apreensão de 2 amas de fogo e munições apreensão de 60 mil reais em dinheiro e joias bloqueio de contas de criptoativos apreensão de 6 veículos de luxo e uma motocicleta apreensão de 3 imóveis (um lote em Foz de Iguaçu, um apartamento no Guarujá e uma cobertura em Uberlândia) autorização para bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias A operação foi deflagrada pela PCDF, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor). A execução das medidas e das diligências contou com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), do Estado de São Paulo (PCSP), de Santa Catarina (PCSC), do Paraná (PCPR), do Amazonas (PCAM), e de Goiás (PCGO), da Polícia Penal do DF, bem como da Divisão de Operações Especiais (DOE) da PCDF. As equipes realizaram a ação nos seguintes lugares: Distrito Federal, em Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires Goiás, em Valparaíso, Cidade Ocidental e Planaltina São Paulo, em Guarujá e na capital Minas Gerais, em Uberlândia Amazonas, em Manaus Paraná, em Foz do Iguaçu Santa Catarina, em Jaraguá do Sul e São Lourenço do Oeste "As medidas visam interromper o fluxo de drogas destinado à capital, enfraquecer o braço financeiro da organização investigada e responsabilizar toda a cadeia envolvida", disse a PCDF sobre a ação. Crime ambiental: Ação resgata 91 aves exóticas, nativas e silvestres em situação de maus-tratos em Vila Velha, no ES Os investigados poderão responder, conforme sua participação, pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa majorada pela conexão com outras organizações criminosas independentes e lavagem de dinheiro majorada. Somadas, as penas variam de 13 a 55 anos de reclusão, além de multa. Operação Eixo Uma investigação iniciada em 2024 pela 13ª Delegacia de Polícia de Sobradinho revelou a atuação de uma estrutura criminosa sofisticada voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de valores ilícitos por meio de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro. Os elementos reunidos indicam a presença, no DF, de núcleos ligados a facções criminosas oriundas do Rio de Janeiro, evidenciando uma articulação interestadual com impactos diretos na capital federal. Durante as apurações, a conexão entre os grupos ficou clara após a identificação da viagem de três investigados do Distrito Federal para uma comunidade no Rio de Janeiro, onde teriam participado de treinamento para uso de armas de grosso calibre, como fuzis. O inquérito também apontou a existência de dois núcleos centrais de atuação no DF, vinculados a grupos criminosos rivais. Um dos principais investigados desempenhava papel relevante na logística de envio de entorpecentes de outros estados para abastecer o mercado ilícito local. Além disso, foram reunidos indícios consistentes da ligação de investigados a ambientes criminosos fortemente armados e associados a facções já consolidadas fora do Distrito Federal. No campo financeiro, a investigação revelou um esquema altamente estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, contas bancárias em nome de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação. Foram identificadas pessoas jurídicas de curta duração e sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. As investigações também identificaram a pulverização de recursos por meio de transferências em valores padronizados, uso de plataformas de criptoativos e saques em grande volume de dinheiro em espécie, estratégias destinadas a dificultar o rastreamento patrimonial e a atuação de órgãos de controle. Em um dos casos analisados, uma única conta registrou movimentação superior a R$ 79 milhões em um curto período. A investigação, segundo a PCDF, alcançou ainda investigados estrangeiros apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística dos núcleos criminosos. Entre eles estão dois cidadãos colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos já havia sido investigado pela Polícia Federal por atuação em esquema de lavagem de dinheiro no Amazonas ligado a facção do Rio de Janeiro, estava na lista de difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. O outro colombiano encontra-se preso em seu país de origem, enquanto o venezuelano foi localizado em Santa Catarina. A periculosidade da organização também ficou clara em um episódio envolvendo um dos responsáveis pela recepção e distribuição de drogas no Distrito Federal. Ele foi morto em agosto de 2024 durante confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais, quando transportava um grande carregamento de maconha, portava arma de fogo de uso restrito e mantinha anotações relacionadas à contabilidade do tráfico.
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