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Artemis II conclui a mais importante viagem espacial tripulada em 5 décadas, em passo crucial para a exploração do cosmos | Collector
Artemis II conclui a mais importante viagem espacial tripulada em 5 décadas, em passo crucial para a exploração do cosmos
Jornal O Globo

Artemis II conclui a mais importante viagem espacial tripulada em 5 décadas, em passo crucial para a exploração do cosmos

Após dez dias de uma jornada acompanhada por bilhões de pessoas na Terra, a Missão Artemis II, a primeira viagem tripulada em direção à Lua em mais de 50 anos, terminou com uma reentrada e um pouso perfeitos da cápsula Orion no Oceano Pacífico, na noite desta sexta-feira. Embora não tenha chegado ao solo lunar, a missão era considerada uma das mais importantes das últimas décadas para o retorno humano a nosso satélite natural, e para sua potencial ocupação permanente. — Das páginas de Júlio Verne a uma missão moderna à Lua, um novo capítulo da exploração do nosso vizinho celestial se completa —disse Derrol Nail, responsável da Nasa pela transmissão do pouso da Artemis II. — Os astronautas da Integrity (nome que foi dado à sonda Orion) estão de volta à Terra. Siga ao vivo: Missão Artemis II entra em fase final com reentrada de astronautas na Terra nesta noite A Artemis II é também brasileira? Entenda participação nacional em missão que explorou lado oculto da Lua 40 mil km/h, 3.000°C e bloqueio de sinal: Saiba o que os astronautas da Artemis II vão enfrentar durante o retorno à Terra nesta sexta Tal como sua missão preparatória, a Artemis I, lançada sem tripulantes no final de 2022, a Artemis II conviveu com atrasos, alterações nos planos e uma troca na Casa Branca que colocou novamente a Lua no centro das prioridades espaciais. O presidente dos EUA, Donald Trump, que em seu primeiro mandato queria colocar astronautas no satélite natural até 2024, estabeleceu como nova meta 2028, seu último na Presidência. Até 2032, deseja ver uma base permanente. Por isso, demonstrar que os EUA tinham capacidade para recolocar humanos na Lua era crucial, em uma corrida contra um programa espacial chinês que também quer as pegadas de seus taikonautas ali até 2030. Como será o retorno da Artemis II para a Terra Antes da data inicial de lançamento, em março, foram detectados problemas como um vazamento de hidrogênio, e o consenso foi pelo adiamento para o dia 1º de abril. Desta vez, sem sustos, imprevistos ou questões técnicas: às 19h35, pelo horário de Brasília, o foguete levando a cápsula Orion e seus quatro tripulantes — Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen — rompeu a atmosfera rumo à órbita lunar. — Gostaria de começar parabenizando a equipe da Nasa e nossos bravos astronautas pelo lançamento bem-sucedido da Artemis II. Foi algo realmente extraordinário — disse Trump, no dia 1º de abril, no mesmo pronunciamento em que exaltou a guerra contra o Irã. Galerias Relacionadas Fora da atmosfera, os astronautas tinham diante de si o planeta azul onde todos os seres humanos, desde o início da História, nasceram, viveram e construíram suas trajetória. A primeira imagem, feita pelo comandante da missão, Reid Wiseman, foi batizada de “Olá, Mundo”. A bordo, os quatro “brigavam” pelos melhores lugares da Orion: as janelas. — Fenomenal. Nenhum de nós consegue almoçar porque estamos grudados na janela. Estamos tirando fotos. Reid disse que não aguenta mais — disse Jeremy Hansen, durante uma entrevista a veículos de comunicação, por videoconferência. ‘Ártemis’ ou ‘Artêmis’? Saiba pronúncia e origem do nome da missão que vai trazer astronautas de volta à Terra A queima na injeção translunar direcionou a espaçonave em uma rota que não era usada por humanos desde 1972. A Lua crescia nas janelas, ao mesmo tempo em que a Terra ficava mais distante. Além dos exercícios, obrigatórios para enfrentar os impactos da ausência da gravidade nos músculos, a tripulação revisava ordens e preparava equipamentos da etapa mais aguardada da missão: fotografar e filmar de perto a Lua, inclusive seu lado oculto. — É uma visão belíssima — disse Christina Koch, especialista da missão, ao controle da missão na Terra. — Estamos vendo cada vez mais do lado distante [da Lua], e é simplesmente emocionante estar aqui. O astronauta da NASA e comandante da missão Artemis II, Reid Wiseman, tirou esta foto da Terra da janela da espaçonave Orion em 2 de abril NASA/Divulgação Mas nem só de sorrisos se fez a aproximação lunar. Na noite de sexta-feira, a Nasa revelou problemas com o banheiro da Orion, um equipamento de US$ 23 milhões que parou de funcionar logo depois do lançamento. A função de “encanador espacial” ficou com Koch, e no sábado a Nasa confirmou que tudo funcionava perfeitamente — até então, os dejetos produzidos foram armazenados em sacolas próprias, como as usadas nos anos 1960. — Acho que essa fixação com o banheiro é meio que da natureza humana —disse John Honeycutt, líder da equipe de gerenciamento da missão da Nasa. — E é mais difícil de administrar no espaço. Artemis II: astronautas falam sobre impacto emocional e dizem ainda não ter assimilado viagem histórica à Lua; 'Verdadeiro presente' Nasa Com todos equipamentos a bordo funcionando, a Orion entrou na esfera de influência lunar, quando a espaçonave passou a ser “puxada”, na segunda-feira, quando a Missão Artemis II bateu o recorde de mais longa distância viajada no espaço — 400.771 km —, um feito que pertencia à Apollo 13, em 1970. Àquela altura, detalhes reservados a poucos mortais começaram a se apresentar. — A Lua que estamos vendo não é a mesma Lua que você vê da Terra — disse Koch ao comando da missão. — A Lua é realmente um corpo celeste com seu próprio propósito no Universo. Não é apenas um cartaz no céu que passa despercebido. Artemis II: Quanto ganham os astronautas da Nasa? No ponto máximo de aproximação, a Orion chegou a 6,5 mil km de distância da superfície, uma distância considerável em terra, mas mínima em termos de cosmos. Contrastes de luz e sombra nas crateras foram notados em suas nuances mais sensíveis. O “terminador”, limite entre as partes clara e escura da Lua, foi descrito como “visualmente fascinante” pelo piloto da missão, Victor Glover. Em um dos momentos mais emocionantes da jornada, Hansen pediu, em nome da tripulação, que uma das crateras observadas recebesse o nome de Carroll, em homenagem à mulher de Wiseman, que morreu de câncer em 2020. Entenda: Professor explica como, mesmo com 10 toneladas, a nave da Artemis II tem combustível para os 407 mil km Artemis II: O que foi mais marcante na missão lunar? O aguardado e temido blecaute de comunicações durante a passagem pelo lado oculto da Lua, antecipado pelo “pôr da Terra” no horizonte lunar, durou cerca de 40 minutos, sem sustos. Neste período, a tripulação conseguiu observar o impacto de meteoritos no solo, um fenômeno raro que rendeu alguns gritos de comemoração na Orion e no centro de comando de terra. — [O fenômeno é] algo que não testemunhamos com frequência — disse a astronauta reserva da missão, Jenni Gibbons. — Eles eram uma prioridade científica muito alta para nós, então o fato de terem visto quatro ou cinco foi simplesmente extraordinário. Em um presente de despedida, os quatro testemunharam um eclipse solar visto apenas para quem estava a bordo da Missão Artemis II. Era hora de aproveitar o impulso do nosso satélite natural de volta à Terra, na etapa considerada a mais arriscada da jornada. A calmaria do espaço foi substituída pelo caos da reentrada, quando a cápsula que percorreu 406 mil km foi envolta por uma bola de fogo, uma onda de choque e uma temperatura no escudo térmico de 3.000ºC, voando 30 vezes mais rápido do que a velocidade do som. A bordo, ficaram sem comunicação por seis minutos, sem controle direto e sem banheiro, desativado cerca de três horas antes do pouso. Em novembro de 2022, a cápsula da Artemis I – um voo de teste não tripulado – sofreu uma perda inesperada de carbono no escudo térmico, mas os engenheiros garantiram ter encontrado as causas e sanado o problema para o voo seguinte. Artemis II: Por que a tripulação usa computadores com Windows 8 na nave Orion A Orion pousou no Oceano Pacífico às 21h07 , pelo horário de Brasília, perto da costa de San Diego, no estado americano da Califórnia, e os quatro foram resgatados pelo navio USS John P. Murtha, com o apoio de embarcações menores. Para que deixassem a cápsula em segurança, há uma espécie de balsa, apelidada de "varanda da frente". Em seguida, serão levados para um período de recuperação e exames médicos. De acordo com os planos atuais da Nasa, a Missão Artemis III, que também não pousará na Lua, tem lançamento previsto para 2027, enquanto a Artemis IV, que deve levar os primeiros astronautas à Lua desde 1972, tem como meta ganhar o espaço em 2028.

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