Jornal O Globo
O menino de nove anos mantido sequestrado durante mais de um ano dentro de uma van na França após "desaparecer de um dia para o outro" não tomava banho desde 2024, segundo os investigadores. O pai, um homem de 43 anos apontado como responsável pelo crime, foi indiciado nesta sexta-feira. A criança foi encontrada na última segunda-feira, nua e desnutrida, segundo o Ministério Público. Entenda: Alemã trans com histórico neonazista é presa após oito meses foragida Lava a 200 metros de altura: Kilauea, um dos vulcões mais ativos do mundo, entra em erupção e fecha parque no Havaí; vídeo Militares encontraram o menino em Hagenbach, uma pequena localidade com 800 habitantes no nordeste do país, após serem alertados por uma moradora que ouviu "barulhos de criança" no veículo estacionado em um pátio privado com várias casas. Depois de destravarem o veículo, os agentes o encontraram "deitado em posição fetal, nu, coberto por uma manta e sobre um monte de lixo e perto de excrementos", segundo nota do promotor de Mulhouse, Nicolas Heitz. "Devido à posição sentada por um longo período", o menino, "pálido e manifestamente desnutrido", já não conseguia andar, detalhou o promotor. Ele foi levado imediatamente para um hospital em Mulhouse. A criança contou aos investigadores que a companheira de seu pai "não o queria no apartamento e queria que o internassem em um hospital psiquiátrico", e que o pai o trancou no veículo "para não interná-lo". Privação de cuidados O menino tinha uma trouxa de roupas e precisava urinar em garrafas plásticas e fazer suas necessidades em sacos de lixo. O pai vivia com sua companheira, de 37 anos, e duas meninas de 10 e 12 anos — uma filha dele e outra dela — e reconheceu que manteve o filho sequestrado e privado de cuidados desde "novembro de 2024", alegando que queria protegê-lo da mulher, segundo o promotor. O menino frequentou a escola até o ano letivo de 2023-2024 em Mulhouse, e a instituição "arquivou o seu processo" após a família informar que ele passaria a estudar de outra forma. O acusado, que está em prisão preventiva, afirmou ainda que deixou o menino sair em maio de 2025 e permitiu acesso ao apartamento em meados daquele ano, quando a família estava de férias. Companheira também é investigada A companheira do homem, que não é mãe da criança, também é alvo de investigação e pode responder por não denunciar maus-tratos, privação ou agressão sexual, segundo o Ministério Público. Ela negou as acusações e afirmou não saber que o menino estava mantido no veículo. "Nenhum elemento médico" atestou problemas psiquiátricos na criança, informou o promotor. As autoridades assumiram provisoriamente a custódia dos três menores, enquanto o caso segue sob investigação.
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