Revista Oeste
O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida completou, nesta sexta-feira, 10, um mês sem seus equipamentos de trabalho. Idealizador e editor do site independente que leva o seu nome , ele viu, em 10 de março, agentes da Polícia Federal (PF) saírem de sua casa, em São Luís, capital do Maranhão, com um computador, dois aparelhos celulares e um HD externo. Os equipamentos, que são ferramentas de trabalho do jornalista, já deveriam ter sido entregues ao dono, conforme decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) , na quarta-feira 8. A entrega, no entanto, não ocorreu. "Fui informado pela PF que os dois celulares estão em Belém, pois estavam sendo periciados lá", lamenta Luís Pablo, em contato com Oeste . "Mandaram pelos Correios para cá." + Leia mais notícias de Imprensa em Oeste "O MacBook e o HD externo estão na PF daqui", prossegue o jornalista, antes de explicar que a entrega desses objetos também não ocorreram nesta sexta-feira por ausência de servidor público. "No entanto, o escrivão responsável pela entrega está em operação em Teresina. Tudo ficou para ser entregue na próxima semana." A operação da PF contra Luís Pablo A operação que resultou na apreensão das ferramentas de trabalho de Luís Pablo ocorreu a partir de autorização de Moraes. O ministro do STF acatou ao pedido da superintendência da PF no Maranhão, que acusa o jornalista de "perseguir" a família do também ministro do Supremo Flávio Dino. A Procuradoria-Geral da República deu aval para o cumprimento do mandado de busca e apreensão contra o comunicador. https://www.youtube.com/watch?v=YiHjZoz2XRE Luís Pablo rechaça essa acusação e associa a operação da PF à série de reportagens que publicou em seu site. Com direito a imagens, mostrou que a família de Dino estava usando de forma irregular um carro que deveria restrito à chefia do Tribunal de Justiça do Maranhão. O jornalista acredita que a ação visa a descobrir quem é a sua fonte de informação — sendo que o sigilo da fonte é um direito que a Constituição assegura. Na ocasião da deflagração da operação da Polícia Federal, veículos de comunicação e entidades de jornalismo — do Brasil e do exterior — saíram em defesa do profissional da imprensa. Apoio que se perdeu no decorrer dos últimos 30 dias, observa o jornalista. "As entidades só deram força naquele momento, mas depois disso nada mais fizeram", conta. "O principal nisso tudo ainda continua sendo feito: o abuso de poder." Perseguido e censurado Ser alvo da PF não foi o único problema que Luís Pablo encarou desde 10 de março. Ele também passou a ser alvo de censura , em ação movida pelo vice-governador maranhense, Felipe Camarão (PT), que é aliado público de Dino. O petista Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão, é um dos aliados do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, no Maranhão | Foto: Reprodução/Instagram/@felipecostacamarao Camarão acionou a Justiça contra o jornalista por causa de reportagem, com direito a fotos, que mostrava a entrega de uma "mochila misteriosa" na residência oficial da vice-governadoria do Maranhão. O petista pediu a exclusão do conteúdo da internet. A juíza Lívia Maria da Graça Costa Aguiar atendeu a solicitação. Para não pagar multa diária de R$ 500, o jornalista tirou o material do ar. Leia também: "Liberdade de imprensa sob ataque" , reportagem publicada na Edição 314 da Revista Oeste E mais: "O Inquérito da Censura" , por Adalberto Piotto O post Alvo da PF, jornalista está há um mês sem seus equipamentos de trabalho apareceu primeiro em Revista Oeste .
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