Jornal O Globo
O ator e cantor Maurício Mattar, de 62 anos, usou as redes sociais para mostrar o resultado de sua harmonização facial, com o objetivo 'tirar o ar de cansaço' do rosto. "Sempre fui muito preocupado com esse negócio de mexer no rosto, principalmente por ser artista e isso mexer na parte que me expresso. Mudar o semblante é muito perigoso", disse o ator, que comemorou o resultado: "Trouxe uma leveza. Acho que tem que ter isso mesmo", disse. O procedimento de harmonização facial vem se mostrando cada vez mais forte entre os homens. “Temos cada vez mais pacientes do sexo masculino no consultório buscando melhorar algo sem que ninguém perceba e sem que precisem se afastar de sua rotina. "O foco é melhorar o aspecto sem mudar características pessoais, sem transformar o rosto, simplesmente aprimorá-lo e fazer com que o paciente se sinta bem”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “O autocuidado masculino tem crescido, impulsionado por uma percepção mais ampla de saúde, imagem e bem-estar. Cuidar da pele e prevenir marcas profundas não é vaidade excessiva, mas gestão de imagem. Em ambientes profissionais competitivos, por exemplo, transmitir disposição e vitalidade pode impactar na forma como o indivíduo é percebido”, diz Renato Soriani, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Nesse sentido a harmonização facial se destaca, pois, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não se trata de um procedimento específico, mas sim de um termo criado para definir um conjunto de procedimentos estéticos que visam a melhora das proporções da face, podendo assim ser adaptada para atender as necessidades de cada paciente. “Grande parte das vezes, a queixa do paciente foca apenas em uma estrutura específica do rosto, quando, na verdade, o incômodo vem da falta de proporção entre diversas estruturas que compõe a face. A harmonização facial consiste então em deixar todas estas estruturas harmônicas entre si e para isso é necessário um diagnóstico preciso da causa da queixa do paciente”, explica a cirurgiã plástica. Initial plugin text Entre os procedimentos compreendidos pela chamada harmonização facial destacam-se principalmente os injetáveis, como preenchedores, toxina botulínica e bioestimuladores de colágeno, mas tecnologias também podem ser utilizadas. Inclusive, esses tratamentos podem e devem ser combinados, pois cada um deles possui uma função e indicação específica. A toxina botulínica, por exemplo, atua na musculatura, evitando contração do músculo e consequentemente as fraturas da pele, porque a face acompanha a movimentação muscular. “Aplicada em pontos estratégicos e com doses personalizadas, a substância pode suavizar marcas de expressão sem comprometer a dinâmica facial. Além disso, há um efeito de prevenção do envelhecimento muito interessante, pois reduzimos a demarcação que essa musculatura causa”, diz a dermatologista Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “A paralisia, no entanto, é temporária, pois a função muscular é restaurada conforme a formação de novas junções neuromusculares”, detalha a dermatologista. “Apesar de ser um dos procedimentos estéticos mais realizados no mundo, muitos homens ainda adiam a primeira aplicação da toxina botulínica. E, quase sempre pelos motivos errados. O receio mais comum é parecer artificial. A imagem de um rosto ‘engessado’ ainda assusta. Mas o resultado artificial não é consequência da toxina em si, e sim de um uso inadequado, doses excessivas ou falta de avaliação personalizada”, diz o médico Renato Soriani. “Quando bem indicada e aplicada de forma estratégica, a toxina botulínica não apaga expressões nem modifica traços. Ela apenas reduz a contração exagerada que marca a pele ao longo do tempo. O efeito esperado é discreto: o homem continua com sua expressão, mas com aparência mais descansada e menos tensa”, acrescenta o dermatologista. Já os preenchedores injetáveis utilizam ácido hialurônico para promover volume em certas regiões da face. “O ácido hialurônico é a substância mais segura entre os preenchedores injetáveis justamente por ser naturalmente produzida pelo organismo. Para esse fim, o ácido hialurônico passa por um processo conhecido como cross-link, que o torna mais resistente à ação de enzimas naturais de nosso organismo. Com isso, o produto tem sua absorção dificultada e permanece mais tempo no local aplicado, conferindo volume e sustentação ao rosto”, diz Beatriz Lassance. “Os preenchimentos podem ser usados para tratar tratam uma série de problemas, incluindo rugas, afinamento dos lábios, linhas finas ao redor da boca, perda de volume sob os olhos e nas costas das mãos e sulcos nasolabiais, entre outros”, diz a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ela acrescenta que, embora os resultados e a longevidade variem com base no local da injeção e nas características do paciente, geralmente duram entre seis e 12 meses. Mauricio Mattar Reprodução/Instagram Com relação aos bioestimuladores de colágeno, Paola explica que, como o próprio nome já diz, são substâncias como o Ácido L-Polilático e a Hidroxiapatita de Cálcio que, quando injetadas na pele, induzem uma resposta inflamatória do organismo que leva à produção de colágeno, melhorando a firmeza. Mas, quando o assunto é bioestímulo de colágeno, os injetáveis não são a única opção e as tecnologias também podem ser interessantes. “Temos o Volnewmer, por exemplo, que, por meio de radiofrequência monopolar, aquece a derme, chegando até a temperatura de 60°C, o que estimula e reorganiza as fibras de colágeno. Com isso, há melhora da textura e do viço da pele e redução dos sinais de envelhecimento”, diz a médica. Outra opção de tecnologia para essa finalidade é o Ignite RF. “Ele entrega a radiofrequência bipolar de diferentes formas. Na superfície, usa a já conhecida tecnologia Morpheus, com microagulhas que emitem calor para rejuvenescimento. E a camada subdérmica também recebe estímulo com a nova ponteira QuantumRF, que proporciona uma poderosa contração tecidual sem causar danos à derme. Assim, temos um efeito lifting expressivo com um tratamento minimamente invasivo, seguro, preciso e eficaz”, explica Flávia Brasileiro. Dada a enorme variedade de opções, é importante ressaltar que a escolha entre os tratamentos e a possibilidade de combiná-los depende de um exame dermatológico cuidadoso e do diagnóstico correto da pele para então definir quais áreas serão tratadas e com quais técnicas. “É muito frequente associarmos técnicas na nossa rotina. Com a associação, os efeitos são mais expressivos e os resultados são excelentes e mais naturais. Mas cada paciente deve ser tratado individualmente e es resultados variam de pessoa para pessoa”, finaliza Paola Pomerantzeff.
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