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Obras de novas ciclovias na cidade do Rio começam neste domingo; veja os trajetos previstos | Collector
Obras de novas ciclovias na cidade do Rio começam neste domingo; veja os trajetos previstos
Jornal O Globo

Obras de novas ciclovias na cidade do Rio começam neste domingo; veja os trajetos previstos

Onze dias após as mortes trágicas de Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e de seu filho, Francisco Farias Antunes, de 9, em um acidente com um ônibus na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando trafegavam em uma bicicleta elétrica, Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou,, a implantação de novas ciclovias na cidade — inclusive na rua onde ocorreu o atropelamento. Segundo o prefeito, as obras começam neste domingo, e a meta é ter mais 50 quilômetros de pistas exclusivas para bicicletas na cidade até 2028, a um custo de R$ 20 milhões. Sinal de alerta: Rio registra 16 estupros por dia e reforça urgência em ampliar protocolos de proteção às vítimas Local estratégico: operação das polícias Civil e Militar mira aliança entre ADA e CV na Zona Oeste do Rio O acidente aconteceu na Rua Conde de Bonfim, na altura da Rua Pinto de Figueiredo. O plano da prefeitura é instalar uma ciclofaixa ao longo do canteiro central da via, no trecho entre a Praça Saens Peña e a Rua Uruguai. Horas após o anúncio do prefeito, ciclistas se reuniram na Conde de Bonfim, no ponto onde aconteceu o acidente, para protestar e pedir mais prudência no trânsito. Alguns exibiam uma faixa em que se lia: “Em cada bicicleta vai uma vida. Quantas vidas valem a sua pressa?” As novas ciclovias Editoria Arte Vivi Zampieri, integrante da Comissão de Segurança no Ciclismo (CSC), diz que ela e os demais integrantes da organização receberam a notícia das novas ciclovias com alegria e certo ceticismo. — Nós já recebemos muitas comunicações nesse sentido. A gente está esperando essa ciclovia há 20 anos, assim como o plano de expansão da rede cicloviária — conta. — Estamos céticos. Recebemos com carinho e estamos ansiosos para que aconteça, mas só vamos comemorar quando de fato sair do papel. A ligação Tijuca–Centro é a rede cicloviária mais pedida pela população e a demanda mais antiga que nós temos. A prefeitura também promete ampliar a malha cicloviária na Zona Sul. Em Botafogo, a estrutura será implantada no lado esquerdo da Rua Muniz Barreto, entre as ruas Pinheiro Machado e São Clemente, mantendo o estacionamento ao longo da via. Já no eixo Glória–Cinelândia, está previsto um novo traçado na Rua Augusto Severo, criando uma ligação entre os dois bairros. A previsão é que as três intervenções sejam concluídas em 90 dias. De acordo com o prefeito, as obras integram um plano mais amplo de mobilidade sustentável, que prevê novos trechos e a requalificação da sinalização existente no Centro e nas zonas Sul e Norte. — A implantação desses novos trechos faz parte de um plano consistente de expansão da malha cicloviária. Queremos que o carioca que escolhe a bicicleta tenha segurança tanto nas ciclovias quanto no asfalto — afirma Cavaliere. Outros locais Também estão previstas ciclovias nas seguintes vias: Avenida Pedro II (São Cristóvão), Rua Barão da Torre (Ipanema), Avenida Henrique Dodsworth (Copacabana), Rua Sacadura Cabral (Gamboa) e Avenida Dom Helder Câmara (Del Castilho), entre outras. A prefeitura afirma que a cidade tem hoje uma malha de 501 quilômetros de vias destinadas a bicicletas. De acordo com o Data.Rio (o portal de dados abertos do município), ela é dividida em 575 trechos: 233 são faixas compartilhadas com calçadas, 186 dividem espaço com pistas para automóveis, 98 são ciclofaixas e 58, ciclovias. A informação, atualizada em 23 de fevereiro, mostra que apenas 10% dessa rede é de pistas exclusivas totalmente separadas do tráfego. Em Copacabana, como mostrou O GLOBO, são 40 vias com algum tipo de estrutura cicloviária, somando 18,4 quilômetros de extensão. As ciclovias se concentram na Avenida Atlântica. Já na Tijuca, onde ocorreu o acidente que matou mãe e filho, são apenas 387 metros de faixa compartilhada com calçada e pouco mais de um quilômetro de ciclofaixa na Rua Uruguai. Regiões densamente povoadas, como a Zona Norte, e áreas que concentram o maior uso de bicicleta, na Zona Oeste, ainda têm pouca infraestrutura proporcional à demanda. Novas regras Antes de anunciar a extensão da malha cicloviária no município, a prefeitura publicou, na segunda-feira, um decreto com novas regras referentes à circulação de bicicletas elétricas, autopropelidos (“motinhas”), ciclomotores e patinetes elétricos na cidade. A partir de agora, as “motinhas” elétricas não podem mais trafegar nas ciclovias, somente em vias com velocidades de até 60km/h e onde não haja BRS, o corredor exclusivo para ônibus. Para permitir que esses veículos circulem nas avenidas da orla, a velocidade máxima entre o Leme e o Pontal foi alterada, passando de 70km/h para 60km/h. Embora reconheçam a necessidade de medidas para organizar a circulação desses veículos pelas vias da cidade, usuários reclamam. — Vai ter mais acidente na pista com esses ciclomotores porque os motoristas não respeitam. A ciclovia é muito mais segura para a gente. O que eles deveriam ter feito é colocar uma regra determinando que os autopropelidos diminuam a velocidade na ciclovia — critica Stephanie Correia, que usa uma “motinha” elétrica para circular pela Zona Sul.

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