Revista Oeste
As investigações sobre o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, mostram um esquema que desafia a capacidade de resposta do Estado . Nesse sentido, o nosso sistema de controle e fiscalização entre os Poderes passa por um de seus maiores testes. O que mais chama atenção, no entanto, não é a complexidade do caso ou a grande quantidade de dinheiro envolvida, mas sim a lentidão proposital de Brasília para julgar os fatos. A chance de Vorcaro fazer uma delação premiada parece ter criado um clima de medo, travando o andamento das investigações e a cobrança por justiça. No Supremo Tribunal Federal (STF) , a situação mostra um grave conflito de interesses. O tribunal precisa julgar um processo no qual há menções aos próprios ministros da Corte, o que coloca em dúvida se o julgamento será realmente neutro. Falas recentes do ministro Gilmar Mendes, sugerindo anular partes do processo, causam muito desgaste. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes tem adotado uma postura de proteção, parecida com a que Dias Toffoli já fez no passado. O resultado disso tudo é uma grande insegurança jurídica no país. Essa atitude já reflete na população: uma pesquisa da AtlasIntel mostra que 47% dos brasileiros acreditam que o STF está envolvido no esquema, fazendo a desconfiança geral na Corte chegar a 60%. Congresso se recusa a analisar o caso Master Mas a falta de ação não acontece só na Justiça. O Congresso Nacional , que tem a obrigação de fiscalizar, prefere cruzar os braços. A recusa do Senado em abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso mostra a falta de compromisso com a transparência. Sob o comando do senador Davi Alcolumbre, a cúpula do Congresso usa o controle das votações para adiar o debate público, criando uma barreira de proteção que vai contra o dever de investigar. Essa demora fica ainda mais grave com os últimos acontecimentos policiais. A morte confirmada de um operador investigado pela Polícia Federal, com ligação direta ao esquema, traz violência física para um caso que até então envolvia apenas dinheiro. É um agravamento que exigiria uma resposta rápida do Estado. Em vez disso, o governo e a Justiça continuam lentos, aumentando a suspeita de que há um esforço de todos os lados para abafar a investigação. https://www.youtube.com/watch?v=qyRnq1wwIH0 Na prática, o que se vê é uma união entre os diferentes Poderes para diminuir o tamanho da crise. Enquanto o governo federal se afasta para não se desgastar politicamente e grupos rivais fazem acordos de paz nos Estados, poucos órgãos agem com a firmeza necessária. O destaque positivo fica para o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão tem apontado falhas graves na fiscalização do Banco Central e da CVM sobre repasses estranhos — como os R$ 190 milhões enviados a um fundo ligado ao cunhado do banqueiro —, além de sugerir o afastamento de ministros do caso. A forma como o caso Master está sendo tratado mostra que o Estado brasileiro está falhando em corrigir seus próprios erros. Quando a Justiça e o Congresso ficam parados diante de um escândalo enorme, que envolve até a morte de investigados, a mensagem para a sociedade é clara: a lei não vale para todos. A demora para analisar as delações e investigar as autoridades destrói a confiança da população no país. É urgente que os órgãos de fiscalização voltem a agir de forma independente, caso contrário, estarão apenas usando a máquina pública para proteger os interesses de pessoas poderosas. + Entenda o que é Política Davi de Souza é graduando em gestão pública pela UFMG, é pesquisador em ciência política e políticas públicas na UnB e atua como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados. Davi é fellow do Instituto Amplifica O post A inércia dos Poderes na apuração do caso Master apareceu primeiro em Revista Oeste .
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