Jornal O Globo
À medida que a ciência do esporte se torna cada vez mais acessível, vemos um efeito cascata que se estende de atletas de elite a atletas amadores e até mesmo praticantes de exercícios recreativos, que estão explorando maneiras de otimizar a saúde e acelerar a recuperação. Com o aumento de centros de recuperação de alta tecnologia, oferecendo de tudo, desde banhos de gelo e terapia com luz vermelha até botas de compressão e tratamento com oxigênio hiperbárico, o que antes era nicho agora está se tornando cada vez mais comum. Leite em pó, garrafa ou caixinha: existe uma versão mais saudável? Nutricionista explica Bumbum trabalhado: glúteos são mais importantes para o corpo do que você imagina; veja como fortalecê-los Entusiastas do bem-estar, antes satisfeitos com uma massagem ou sauna infravermelha, estão incorporando serviços de alta tecnologia em suas rotinas. Mas essas terapias realmente funcionam ou apenas dão a impressão de que funcionam? Dan van den Hoek, professor sênior de Fisiologia Clínica do Exercício, na Universidade da Sunshine Coast, na Austrália, explica. Alguns podem chamar isso de efeito placebo. Mas há um forte argumento de que, se alguém realmente se sente melhor, essa resposta tem valor, mesmo que não seja impulsionada por uma mudança fisiológica mensurável. Desde que esses tratamentos não causem danos e não criem dependência de serviços que podem não estar acessíveis em competições ou no dia a dia, eles ainda podem desempenhar um papel importante. No entanto, quando nos voltamos para a ciência, no entanto, o panorama fica mais claro. Há evidências fortes e consistentes que apoiam os fundamentos: sono de qualidade, boa nutrição, hidratação e descanso adequado entre as sessões de treino. Esses são os pilares da recuperação: acessíveis, de baixo custo e eficazes. Há também evidências robustas que apoiam a imersão em água fria, ou crioterapia, cujo uso terapêutico remonta a séculos. Pesquisas mais recentes continuam a apoiar seu papel na redução da dor pós-exercício e na assistência à recuperação, principalmente após treinos de alta intensidade ou de resistência. Os mecanismos são bem compreendidos: a pressão hidrostática e a vasoconstrição ajudam a impulsionar o sangue de volta ao coração, além de auxiliarem no controle da inflamação. Essas respostas podem auxiliar na recuperação, principalmente em ambientes de treinamento de alta intensidade. Mas, importante ressaltar, muitos desses benefícios não são exclusivos de instalações de ponta. Seja uma piscina de imersão construída especificamente para esse fim ou um simples banho quente e frio em casa, os princípios básicos permanecem os mesmos. Soluções de alta tecnologia Considere as botas de compressão, por exemplo. Elas funcionam com princípios semelhantes aos da imersão em água, aplicando pressão intermitente para melhorar a circulação, mas em um formato mais acessível e eficiente em termos de tempo. As evidências atuais apoiam principalmente pequenos benefícios subjetivos na redução da dor e um efeito mínimo nas medidas funcionais. Não há desvantagens claras em seu uso, mas resultados semelhantes podem ser obtidos por meios mais simples: roupas de compressão, elevação e estratégias tradicionais de recuperação, como repouso e aplicação de gelo. Um dos tratamentos mais comentados atualmente é a terapia com luz vermelha, que utiliza luz de baixa intensidade para penetrar na pele e atingir processos celulares. Ela é amplamente divulgada por reduzir a inflamação, auxiliar na reparação tecidual e acelerar a recuperação muscular. No entanto, este é um campo em que o interesse parece estar superando as evidências científicas. Uma revisão publicada em janeiro de 2025 identificou apenas um pequeno número de estudos e 105 participantes para a fotobiomodulação de corpo inteiro — um termo abrangente para terapia baseada em luz — concluindo que não havia evidências de benefícios para marcadores fisiológicos de recuperação, mas os participantes relataram melhor qualidade subjetiva do sono. Outra revisão, de junho de 2025, encontrou evidências da eficácia da terapia com luz vermelha no tratamento da dor muscular tardia, com uma redução promissora nas primeiras 48 horas, mas sem efeito posterior. Em resumo, pequenos benefícios são possíveis, principalmente quando usada antes ou durante sessões intensas, mas os efeitos no desempenho são inconsistentes e geralmente modestos. Outro tratamento bastante divulgado é a oxigenoterapia hiperbárica, que consiste em respirar oxigênio 100% puro em uma câmara pressurizada. Novamente, os estudos são limitados, com algumas evidências de que o tratamento parece ser mais eficaz como terapia adjuvante do que isolada, com seu impacto variando de acordo com o tipo de lesão. É caro, logisticamente complexo e não claramente superior às estratégias básicas de recuperação para atletas saudáveis sem lesões específicas. Também é importante reconhecer que algumas estratégias de recuperação podem não ser apropriadas em todos os contextos. A imersão em água pode elevar a pressão arterial, representando riscos para indivíduos com problemas cardiovasculares. Terapias baseadas em calor, como saunas infravermelhas, também podem ser inadequadas para algumas pessoas, principalmente aquelas propensas à desidratação, tontura ou intolerância ao calor.Da mesma forma, as terapias baseadas em compressão devem ser usadas com cautela em pessoas com problemas circulatórios ou vasculares, onde a pressão excessiva pode agravar os problemas subjacentes. Por mais atraentes que esses tratamentos possam ser, a recuperação não é um processo único para todos.
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