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GCM que matou entregador em SP já respondeu por tentativa de homicídio
Jornal O Globo

GCM que matou entregador em SP já respondeu por tentativa de homicídio

O guarda civil metropolitano responsável pelo disparo que matou o entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg, 39, na última sexta-feira (10), em São Paulo, já havia respondido por tentativa de homicídio em 2003. O subinspetor Reginaldo Alves Feitosa afirma que o tiro que matou o entregador foi acidental. O caso é investigado e o agente — que chegou a ser preso em flagrante — foi liberado após pagar fiança de R$ 2 mil. Segundo relato dos guardas envolvidos no boletim de ocorrência, a equipe apurava furtos atribuídos a ciclistas na Praça Reino do Marrocos, ao lado do Parque Ibirapuera, quando suspeitou de Douglas. A justificativa, de acordo com os agentes, foi o fato de ele estar encapuzado e de duas mulheres aparentarem “fugir” dele. Ainda conforme o registro, o entregador teria se desequilibrado, colidido com a viatura e caído. Ele usava fones de ouvido no momento da abordagem e não teria ouvido a aproximação do veículo. O subinspetor afirma que o disparo ocorreu de forma acidental, no momento em que ele descia da viatura. Inicialmente, ao solicitar socorro, o caso foi comunicado como “acidente de trânsito”. Apenas com a chegada das equipes de resgate foi constatado que se tratava de um ferimento por arma de fogo. Douglas morreu no local, enquanto aguardava socorro. Em 2003, Reginaldo Feitosa já havia sido preso em flagrante por tentativa de homicídio, mas respondeu ao processo em liberdade. Em 2009, também foi alvo de ação no Juizado Especial Criminal, investigado por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação contra pessoa idosa. Todos os casos foram posteriormente arquivados. Registros oficiais indicam ainda que ele recebeu uma repreensão disciplinar 11 dias antes da ocorrência. O delegado responsável pela investigação afirmou que a conduta do agente aponta para imprudência e imperícia no manuseio da arma, especialmente em uma situação de estresse. O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. De acordo com familiares, Douglas foi baleado enquanto voltava para casa levando uma pizza, que seria o jantar com a esposa e os filhos. — Eu não vejo um disparo acidental. Um profissional treinado não pode cometer esse tipo de erro — afirmou a madrasta da esposa da vítima. A esposa do entregador, Nathaly Felix, disse que soube do ocorrido pela imprensa. — Fiquei sabendo por reportagem. Passei a madrugada entre hospital e delegacia sem notícias — disse, também criticando a postura do oficial responsável pelo disparo. Douglas, que foi enterrado neste domingo, 12, deixa três filhos: duas filhas, de 18 e 10 anos, e um bebê de quatro meses. Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que a prefeitura lamenta o ocorrido e se solidariza com a família. Segundo a pasta, os fatos estão sendo apurados, o agente foi afastado das funções operacionais e responderá a processo administrativo. A Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana também instaurou procedimento interno e acompanha o caso, paralelamente ao inquérito conduzido pela Polícia Civil.

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