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Após fracasso de acordo para fim da guerra no Irã, volatilidade deve voltar aos mercados globais
Jornal O Globo

Após fracasso de acordo para fim da guerra no Irã, volatilidade deve voltar aos mercados globais

A perspectiva de que a guerra com o Irã se intensifique novamente após o fracasso das negociações de paz ameaça desencadear nova volatilidade nos mercados globais, depois de uma semana em que um frágil cessar-fogo impulsionou as ações para cima e o petróleo para baixo, registrando a maior queda do ano. Guerra: Preços devem levar algum tempo para voltar ao normal, diz chefe do FMI Em meio a fuga de risco: Bolsas da América Latina viram refúgio em meio à turbulência global Mesmo com o frágil cessar-fogo levando os investidores de volta a ativos de risco na semana passada, estrategistas de Wall Street alertavam que a guerra já havia cobrado um preço tão alto da inflação, do fornecimento de energia e da capacidade de ação dos bancos centrais que nenhuma solução rápida seria provável. Depois que os EUA e o Irã não conseguiram chegar a um acordo nas negociações do fim de semana, o presidente Donald Trump disse que os EUA bloquearão o Estreito de Ormuz. Ele publicou nas redes sociais que "Qualquer iraniano que atirar em nós, ou em embarcações pacíficas, será EXPLODIDO NO INFERNO!" Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais fluíam por essa hidrovia antes do bloqueio. Trump disse que os EUA interceptarão qualquer embarcação que tenha pago pedágio ao Irã para passagem segura por Ormuz e removerão as minas do estreito. Um bloqueio aumentará a pressão sobre os mercados globais de petróleo, interrompendo o fluxo restante de remessas que continuaram a passar pela hidrovia. Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu afirmando que qualquer embarcação militar que tentasse se aproximar do estreito "sob qualquer pretexto" seria considerada uma violação do cessar-fogo, de acordo com a TV estatal iraniana. Analisar como os mercados reagirão às notícias sobre o cessar-fogo tem sido um processo complexo desde que o conflito eclodiu no final de fevereiro. Grandes oscilações têm sido comuns, à medida que os EUA e o Irã se posicionam para obter vantagem nas negociações. — A maioria dos investidores que conheço não reduziu suas posições — eles estão permanecendo no mercado, mas evitando apostas direcionais fortes. É uma situação delicada, pois o potencial de queda é bastante acentuado, mas não se pode perder uma recuperação — disse Christophe Boucher, diretor de investimentos da ABN Amro Investment Solutions em Paris. Dólar vai cair mais? Moeda encosta em R$ 5 e analistas veem espaço para R$ 4,80 Temporada de balanços amplia volatilidade Aumentando o potencial de turbulência, a temporada de balanços do primeiro trimestre está prestes a começar nos EUA, com analistas projetando que os lucros do S&P 500 subirão cerca de 12% em relação ao ano anterior, o menor nível desde o segundo trimestre de 2025. O Goldman Sachs Group Inc. dá início à temporada de balanços nos EUA nesta segunda-feira. Os investidores estão ansiosos para ouvir o que os líderes corporativos têm a dizer sobre os riscos crescentes, que incluem inflação mais alta como resultado da alta do petróleo provocada pela guerra e a ameaça de que os consumidores comecem a reduzir seus gastos. Dados divulgados na sexta-feira mostraram que os preços ao consumidor nos EUA subiram mais do que em 2022, embora o núcleo da inflação tenha permanecido relativamente estável, enquanto a confiança do consumidor caiu. Falando antes dos noticiários do fim de semana, Alexandra Wilson-Elizondo, co-chefe global e co-diretora de investimentos em soluções multiativos da Goldman Sachs Asset Management, afirmou que o Federal Reserve, o banco central americano, provavelmente manterá sua política monetária inalterada até que surjam evidências claras sobre a direção do crescimento e da inflação, embora ainda espere que os formuladores de políticas reduzam as taxas de juros antes do final do ano. Nesse contexto, rendimentos mais altos dos títulos começam a parecer atraentes para alguns investidores. Os títulos do Tesouro de dois anos, cujo cupom está mais alinhado às expectativas para a política do Fed, rendem cerca de 3,8%, um aumento de quase meio ponto percentual desde o início da crise. — Acreditamos que o mercado criou oportunidades para começarmos a investir novamente em renda fixa, principalmente nos EUA. Os rendimentos são um forte indicador de retornos futuros no médio e longo prazo — disse Wilson-Elizondo.

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