Jornal O Globo
A oposição na Venezuela exigiu neste domingo, após uma reunião com líderes políticos, uma reforma de todos os ramos do governo, incluindo o órgão eleitoral, como garantia para futuras eleições no país. Em julho de 2024, a oposição denunciou a eleição para um terceiro mandato consecutivo do deposto Nicolás Maduro, alegando que o órgão eleitoral não publicou os resultados detalhados em seu site oficial, como exige a lei. Sob pressão dos EUA: Venezuela aprova lei que libera mineração no país para investidores privados Leia mais: oposição na Venezuela pede eleições após prazo constitucional e cita 'ausência absoluta' de Maduro Maduro foi preso em 3 de janeiro em uma incursão militar dos EUA e aguarda julgamento nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas. A Plataforma de Unidade Democrática, que reúne oito partidos de oposição, apresentou neste domingo um "roteiro" para alcançar uma "transição democrática" na Venezuela. A manifestação nacional, que reuniu cerca de 40 mil ativistas presencialmente e virtualmente, é a primeira organizada por essa aliança política desde 2014. Naquele ano, a severa repressão do governo e a prisão de líderes forçaram muitos ao exílio e à clandestinidade. "Este roteiro reflete o sentimento do país, mas também corresponde à estratégia iniciada em janeiro na Venezuela", disse Roberto Enríquez, porta-voz da coalizão. Representantes políticos reafirmaram a posição de "ausência absoluta" de Maduro após o término do prazo de 90 dias estabelecido pela Constituição e exigiram que a presidente interina, Delcy Rodríguez, "restabeleça as garantias constitucionais" e convoque eleições. Os líderes pediram o fim das inelegibilidades políticas e a devolução dos títulos e símbolos eleitorais aos seus representantes legítimos. Enríquez respondeu ao governo interino, que afirma priorizar a economia em detrimento das eleições, declarando que "as eleições possibilitam a estabilização e a recuperação, e não o contrário". Enquanto isso, a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, anunciou, em uma mensagem online, que existem acordos e consenso para alcançar uma transição. O partido que ela lidera, Vente, exigiu na sexta-feira a convocação de eleições devido à ausência do presidente. “Nós, venezuelanos, temos uma cultura democrática. Não estamos divididos. Diga-me, em que outro país do mundo 90% da população quer a mesma coisa? Estamos organizados e prontos para fazer o que precisa ser feito”, disse Machado. Ela afirmou que voltará à Venezuela “muito em breve”. “Vamos viajar por todo o país [...] vamos abraçar o povo, vamos construir essa força em um grande acordo pela democracia e pela liberdade.” A plataforma unificada também exigiu a libertação de todos os presos políticos, o fim da perseguição e o desmantelamento do aparato repressivo, além de condições para o retorno seguro dos exilados. Enquanto isso, neste domingo, o advogado trabalhista Edwin Sambrano foi preso “sob acusações políticas” por autoridades policiais no estado de Táchira (sudoeste da Venezuela), segundo um comunicado da organização à qual pertence.
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