Jornal O Globo
Você provavelmente já viu, ou ao menos ouviu falar, de criadores que passaram a vender itens inusitados, como gotas de suor, fios de cabelo ou objetos personalizados. O que antes chamava atenção pelo caráter curioso começa a ganhar outra leitura: a de um nicho que se organiza dentro da economia digital. Com o Brasil figurando entre os principais consumidores de conteúdo adulto no mundo, esse tipo de prática começa a deixar de ser pontual e passa a indicar a expansão de um mercado em estruturação. O que você nunca imaginou à venda: criadora de conteúdo cria catálogo de objetos pessoais e valores surpreendem 'Mulher fitness perfeita' vende gotas de suor por R$ 1500 para seguidores: 'No começo achei estranho' Essas transações não são exatamente novas, mas por muito tempo ocorreram de forma dispersa, em mensagens privadas, pedidos individuais e negociações sem padronização. Agora, começam a migrar para modelos mais organizados, abrindo espaço para novas formas de monetização dentro do universo dos criadores de conteúdo. "A gente percebeu que esse movimento já acontecia, mas sem estrutura, sem segurança e sem escala. A ideia foi justamente organizar isso e transformar em um modelo mais profissional", afirma Felippe Daniel de Moura, CEO da Labertive. Na prática, a relação entre criadores e público continua sendo direta, mas passa a contar com uma camada adicional de organização. A venda de conteúdos personalizados, produtos digitais e experiências exclusivas começa a ocorrer em ambientes centralizados, o que amplia o controle sobre as transações e dá mais previsibilidade ao processo. Esse movimento acompanha a expansão do setor no país. Nos últimos anos, o interesse por plataformas de conteúdo adulto cresceu de forma significativa. Paralelamente, a chamada economia dos criadores movimenta bilhões em escala global e coloca o Brasil entre mercados relevantes desse ecossistema. Nesse cenário, práticas antes isoladas começam a ser incorporadas a uma lógica comercial mais ampla. "A nossa visão é transformar esse comportamento em um mercado estruturado, algo que ainda não existe dessa forma organizada no mundo. A gente entende que isso abre um novo caminho de monetização", diz Felippe. Segundo ele, a expectativa é expandir esse modelo e consolidá-lo como uma nova frente dentro da economia digital. "Existe uma demanda real por esse tipo de produto e experiência, e quando isso ganha organização, o mercado evolui junto", conclui.
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