Jornal O Globo
O Exército dos Estados Unidos afirmou que imporá um bloqueio a todos os portos iranianos a partir desta segunda-feira, após o fracasso das negociações no Paquistão devido à recusa do Irã em abandonar seu programa nuclear, segundo o presidente americano Donald Trump. — Os Estados Unidos imporão um bloqueio aos navios que entrem e saiam dos portos iranianos no dia 13 de abril às 10h (11h, no horário de Brasília) — escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. A circulação de embarcações que não partam do Irã nem tenham o país como destino será autorizada, informou o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio. Trump afirmou à Fox News que o Reino Unido “e alguns outros países” enviarão navios de desminagem. A resposta do Irã foi imediata. Para o Exército iraniano, o bloqueio seria “ilegal” e um ato de “pirataria”, e advertiu que, caso seja implementado, nenhum porto do Golfo estará “a salvo” de represálias. Alguns países, como Espanha e China, também demonstraram oposição. — É algo sem sentido, sem razão (...) mais um episódio de toda essa deriva em que fomos colocados — afirmou a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, referindo-se a Trump. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, pediu a restauração de uma navegação “sem obstáculos” no estreito de Ormuz e a continuidade da resolução de disputas por meios políticos e diplomáticos, evitando “reativar a guerra”. O anúncio do bloqueio e o fracasso do diálogo em Islamabad durante o fim de semana para encerrar o conflito no Oriente Médio geram preocupação. O preço do barril de petróleo começou a semana acima do patamar simbólico de US$ 100, com alta de mais de 7% para o Brent do Mar do Norte e superior a 8% para o West Texas Intermediate (WTI). A incapacidade das partes de chegar a um acordo aumenta o temor de retomada dos ataques na guerra iniciada em 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e que se expandiu por toda a região devido às represálias da república islâmica contra países vizinhos. Desde então, mais de 6 mil pessoas morreram no conflito, principalmente no Irã e no Líbano. O cumprimento do cessar-fogo de duas semanas, que expira em 22 de abril, permanece incerto. O Paquistão, mediador das negociações, pediu que a trégua seja respeitada, mas Estados Unidos e Irã ainda não se pronunciaram.
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