Jornal O Globo
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirma que o governo já superou a crise no INSS com os descontos indevidos dos aposentados e que agora é necessário melhorar a gestão para reduzir a fila de benefícios. Segundo o ministro, esse foi o motivo da demissão do presidente do instituto, Gilberto Waller. — Não teve uma gota d'água (para a demissão), teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle — disse o ministro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu nesta segunda-feira o presidente do INSS, que estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano. Fila do INSS durante a gestão Lula Editoria de Arte No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Seu currículo inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Queiroz observou que a decisão ocorreu em um momento de troca de ministros no governo para a disputa eleitoral. Ele reforçou que decidiu permanecer à frente do Ministério da Previdência a pedido do presidente Lula. — Superada a crise dos descontos associativos, o INSS entra em um novo momento, focado na gestão. A autarquia se debruça agora, em uma nova fase na análise de processos para a concessão de benefícios — disse. Waller assumiu o INSS em abril de 2025, após a deflagração da Operação Sem Desconto da Polícia Federal que apontou fraudes contra os aposentados. O ministro observou que a indicação de um servidor de carreira para a presidência do INSS é um pleito antigo dos servidores. Destacou ainda a decisão do presidente Lula em indicar uma mulher para um vaga: — Com a chegada de Ana Cristina, atendemos um anseio dos servidores do INSS de reconhecer e colocar, no comando da autarquia, uma profissional de carreira do Instituto. Mais uma mulher em um posto de comando dentro do nosso governo. Waller assumiu o cargo a partir da crise gerada com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrada no fim de abril para combater descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O chefe do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo por decisão judicial e depois demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Poucos dias depois, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão. A operação foi autorizada pela Justiça do Distrito Federal para combater um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. As investigações apontam que a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal.
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