Collector
Festival de Curitiba: público aponta favoritos da edição | Collector
Festival de Curitiba: público aponta favoritos da edição
GloboNews

Festival de Curitiba: público aponta favoritos da edição

A 34ª edição do Festival de Curitiba chegou ao fim como um verdadeiro termômetro cultural. Ao longo de 14 dias, cerca de 200 mil pessoas passaram por teatros, ruas, praças e espaços culturais de Curitiba e Região Metropolitana e ajudaram a desenhar um retrato claro das preferências do público: diversidade, emoção e acesso. Com mais de 435 atrações espalhadas por mais de 70 espaços, o festival apostou em uma programação plural, que reuniu teatro, dança, música, circo, humor, performances, debates e gastronomia. O resultado apareceu nas bilheterias, com recorde de ingressos vendidos e sessões esgotadas, e também na ocupação dos espaços gratuitos, que somaram cerca de 130 atividades. Teatro que emociona e surpreende Entre os espetáculos mais comentados, produções que apostaram na emoção e na força cênica ganharam destaque. O ator e dublador Vitor Moleta acompanhou intensamente a programação e aprovou o resultado: “Está cada vez mais eclético, com coisas muito diferentes. Vi uma peça por dia. É difícil não gostar dos trabalhos. ” Ele cita como favoritos “Histórias de Teatro e Circo”, pela potência de reunir três gerações em cena, e “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão, elogiado pela interação com a plateia. “A Máquina” também o surpreendeu pelo cenário giratório e atuação. “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do grupo mineiro Galpão, foi destacada pelo público pela força cênica e intensa interação com a plateia. Divulgação/Maringas Maciel. A jornalista Luciana Melo reforça o impacto da montagem do Galpão: “Foi uma experiência muito forte. O grupo conseguiu ousar sem perder a essência. A adaptação é muito boa. ” Já a atriz Karla Fragoso destaca o impacto emocional das obras: “O Grupo Galpão foi muito impactante, com um final apoteótico. Também amei ‘Jonathan", sobre o racismo. ” Fringe e rua ampliam o alcance A Mostra Fringe, com cerca de 300 atrações, reforçou o papel do festival na democratização do acesso à cultura. Espetáculos gratuitos e de rua foram apontados como fundamentais para atrair novos públicos. O programador cultural Alex Lima, que tem uma relação antiga com o evento, destaca essa força: “Eu faço teatro por conta do festival. No primeiro ano do evento assisti “Romeu e Julieta” do Galpão e fiquei apaixonado, decidi ali o que queria fazer da vida. A programação é muito diversificada. Gostei muito de ‘Édipo Rec’ e ‘{Fé}sta’, além dos espetáculos ‘Fagulha’ da Cia Às de Paus e ‘Deriva’ da Súbita Companhia.” Para o estudante Fernando Moraes, que participa do Fringe desde 2018, o impacto é direto: “Leva muitas pessoas ao teatro, que normalmente não frequentam esse espaço. É uma época muito gostosa na cidade. ” A artista visual Gláucia dos Santos Abreu também valoriza essa vertente: “Gosto muito do Fringe. Vi trabalhos incríveis nas Ruínas e na rua como ‘Odisseia na Praça’. O festival deixa a cidade animada." Espetáculo “Fagulha”, da Cia Às de Paus, conquista o público no Fringe, reafirmando a força das produções independentes no Festival de Curitiba. Divulgação/Miriane Figueira. Cidade transformada Durante o festival, Curitiba ganha um novo ritmo, percepção compartilhada por artistas e público. “A cidade ganha outro ar, frequentar o festival já é uma tradição”, afirma a atriz e produtora Carla Bittencourt, que participou da Rodada de Conexões como curadora e destacou o espetáculo “{Fé}sta”. O estudante de teatro Logan Katkovski Godinho resume o sentimento de muitos: “Esse período do ano me traz muita felicidade, fico muito animado.” Já Luiz Eduardo Ferraz ressalta o peso institucional do evento: “O Festival de Curitiba é referência. ‘Édipo Rec’ foi muito bonito, ainda mais na Ópera de Arame. ” Apresentação de “Piracema”, do grupo Corpo, foi marcada pela precisão, beleza estética e forte impacto visual na programação do Festival de Curitiba. Divulgação/Humberto Araújo. Grandes companhias e momentos marcantes Espetáculos de grupos consagrados também ficaram na memória do público. A apresentação “Piracema”, do Grupo Corpo, foi um dos destaques. “Adorei ver ‘Piracema’”, conta Francisca Gomes, de 82 anos, frequentadora assídua. A produtora Muga Riesemberg também se impressionou: “O grupo Corpo foi impactante, tudo perfeito. Voltar com espetáculos em espaços como a Ópera de Arame e a Pedreira foi muito importante nesta edição. ” Gastronomia e humor em alta Fora dos palcos tradicionais, o público também mostrou preferência por experiências como o Gastronomix e o Risorama. Para Júlia da Costa de Oliveira, que participou pela primeira vez do evento, a experiência gastronômica foi decisiva: “Gostei muito, deu para conhecer vários pratos. Foi minha estreia no festival e com certeza vou voltar. ” O DJ Antônio Ramos destacou a evolução do Gastronomix: “Este ano achei mais organizado, com muita banda boa tocando música brasileira e pratos ótimos. O clima no fim de semana também ajudou muito. ” Já a designer Sharoni Aizental celebrou a diversidade no humor: “Conheci comediantes novas no Risorama e fiquei bem feliz de ver o espaço feminino ampliado no evento. Vou ficar com uma boa recordação. ” Gastronomix conquista o público ao unir alta gastronomia, música brasileira e clima ao ar livre, consolidando-se como um dos espaços mais saborosos e animados do Festival de Curitiba. Divulgação/Lina Sumizono. Encantamento para todas as idades O festival também mostrou força ao atingir públicos de todas as idades. Moisés, de cinco anos, saiu encantado após assistir ao espetáculo da Mostra Lucia Camargo “Como um Palhaço – Like a Clown”. Diversidade como marca Para a jornalista Luciana Melo, a variedade também esteve no formato das atrações: “Havia opções mais curtas e mais longas, o que atende diferentes momentos do público.” Essa multiplicidade aparece como consenso entre os depoimentos: uma programação capaz de agradar perfis distintos, do espectador casual ao profissional da área.

Go to News Site