Jornal O Globo
A religião de Donald Trump voltou ao centro do debate público após novas controvérsias envolvendo o presidente dos Estados Unidos e o Papa Leão XIV. O Pontífice se tornou a maior autoridade na Igreja Católica desde o conclave, em maio de 2025. Embora se declare cristão, a relação de Trump com a fé é marcada por ambiguidades, disputas e questionamentos. Papa Leão XIV reage e diz que 'não tem medo' de Trump: 'Vou seguir firme contra a guerra, há um caminho melhor' 'Fraco' e 'liberal demais': Trump ataca Papa Leão XIV em post; líderes católicos reagem Na madrugada desta segunda-feira, o presidente dos EUA atacou o Papa por meio de uma publicação em rede social em que chamava o religioso de "fraco" e "liberal demais". O Papa Leão XIV é um dos mais influentes críticos globais da guerra dos Estados Unidos, iniciada junto com Israel, contra o Irã, em 28 de fevereiro. Nos últimos dias, o religioso condenou a idolatria de pessoas e do dinheiro, os perigos da arrogância e a “violência absurda e desumana” desencadeada pelo conflito, que aprofundou a instabilidade no Oriente Médio. Leão XIV é o primeiro papa a ter nascido nos Estados Unidos. Em seu ataque ao Pontífice, Trump falou que a escolha para o alto posto na Igreja só aconteceu porque "acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump", ainda afirmando que, se não fosse isso, o religioso não teria sido escolhido no conclave. A controvérsia se intensificou com a repercussão de uma imagem gerada por inteligência artificial em que Trump aparecia representado como Jesus, o que gerou críticas inclusive entre aliados conservadores e grupos religiosos. Diante da repercussão, o presidente volta atrás e apagou a publicação. Saiba quem é: Irmão do Papa Leão XIV elogiado por Trump diz ser seguidor do MAGA e prometeu 'pegar mais leve' Ataques ao Pontífice: Trump diz que 'não é grande fã' de Leão XIV após apelo do Papa contra a guerra Qual a religião do presidnete Donald Trump? Trump foi criado dentro do presbiterianismo, tradição protestante à qual esteve ligado durante boa parte da vida. No entanto, mais recentemente, passou a se identificar como um cristão sem denominação específica. Essa mudança foi contada por ele próprio em uma entrevista ao site Religion News Service, em 2020. Apesar da autodeclaração cristã, sua religiosidade frequentemente é alvo de dúvidas. Observadores e até parte da opinião pública questionam o quanto suas crenças são, de fato, centrais em sua vida pessoal. Há avaliações de que Trump não demonstra familiaridade aprofundada com práticas ou ensinamentos religiosos, além de não manter uma frequência consistente em cultos ou atividades religiosas. Reação feita com IA: Após chamar o Papa Leão XIV de 'fraco', Trump publica imagem de si mesmo que o retrata como uma figura semelhante a Jesus Ao mesmo tempo, sua relação com o cristianismo tem forte dimensão política. Trump construiu uma base sólida entre eleitores cristãos conservadores, especialmente evangélicos, e frequentemente utiliza linguagem religiosa em discursos e campanhas. Ele também mantém proximidade com líderes religiosos destes grupos. Em seu segundo mandato, no ano passado, criou um departamento voltado para a religião, que tem como responsabilidade "defender a liberdade religiosa". Entre as ações já realizadas estão o perdão a ativistas antiaborto, reintegração de militares que se recusaram a tomar vacina durante a pandemia de Covid-19 e criação de um grupo de trabalho para "erradicar o preconceito anticristão". Foi em sua campanha presidencial em 2024, logo após sofrer um atentando que apenas o feriu na orelha direita em julho daquele ano, que Trump passou a falar mais abertamente sobre sua fé. O caso o levou a repetir que acreditava que Deus teria poupado sua vida para que ele retornasse à Casa Branca.
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