Jornal O Globo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve comparecer à posse de José Guimarães como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, nesta terça-feira, no Palácio do Planalto. A expectativa é que ele divida o palanque com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no que será o primeiro evento público entre os dois em meses. A ida foi comunicada a aliados. Interlocutores do presidente afirmam que ele irá ao evento por manter relação com Guimarães, que era líder do governo na Câmara, e não como gesto ao Planalto. A presença ocorre após meses de desgaste com Lula, em uma relação que saiu de parceria institucional para distanciamento aberto. Até o ano passado, Alcolumbre era tratado como principal fiador das pautas do governo no Senado, com capacidade de organizar maioria e destravar votações sensíveis. Esse papel começou a ruir com o anúncio da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, em novembro do ano passado. A escolha contrariou Alcolumbre, que esperava a nomeação de seu aliado, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Mesmo com o afastamento público, os dois mantiveram interlocução reservada. Houve encontros ao longo do segundo semestre do ano passado e uma nova rodada em março, no Alvorada, já com o objetivo de destravar o impasse. No plano público, no entanto, a distância prevaleceu. Lula e Alcolumbre não dividem agenda desde agosto de 2025, quando estiveram juntos no Planalto em um ato sobre os efeitos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. Guimarães assume o cargo com a missão de reorganizar a articulação política do governo e destravar pautas consideradas prioritárias, como o fim da escala 6x1 e a regulação do trabalho por aplicativos. Também caberá a ele atuar junto ao Senado para garantir votos à indicação de Messias ao Supremo. Messias tenta avançar A expectativa no entorno do governo é que Messias tente aproveitar o ambiente desta terça-feira para avançar na interlocução com Alcolumbre, ainda que fora da cerimônia. Até agora, os dois ainda não tiveram uma conversa direta desde o envio da indicação ao Senado. O gesto recente do presidente do Senado — ao destravar a tramitação e enviar o nome à CCJ — foi interpretado como cumprimento do que havia sido sinalizado a Lula em reunião três dias antes do envio da mensagem: não barrar o processo, mas também sem garantir apoio. O avanço da indicação, porém, não resolve o principal desafio do governo, que segue sendo a consolidação de votos no Senado. Apesar da resistência inicial, líderes preveem entre 46 e 48 votos para Messias. Os aliados do AGU apostam na votação secreta para sua aprovação.
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