Jornal O Globo
A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico, no norte da Alemanha, entrou em fase terminal após semanas de tentativas de resgate e agora é acompanhada apenas com medidas paliativas. Segundo a cobertura ao vivo da emissora alemã NDR e informações do jornal Frankfurter Rundschau, autoridades e especialistas decidiram interromper qualquer intervenção direta e permitir que o animal “morra em paz”. Veja vídeo: Autoridades mobilizam força-tarefa de escavadeiras para resgatar baleia-jubarte encalhada na Alemanha Depois de 10 dias de tentativas, baleia jubarte na Alemanha volta a nadar, mas encalha novamente e preocupa autoridades De acordo com o ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, a baleia apresenta sinais claros de agravamento, nesta terça-feira (14), incluindo respiração cada vez mais fraca e água nos pulmões. Especialistas apontam que o animal já não responde a estímulos e está em estado extremamente comprometido. Por que a baleia não foi salva Relatórios técnicos elaborados por especialistas do Museu Oceanográfico Alemão e do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW) concluíram que não havia possibilidade realista de resgate. Segundo esses estudos, qualquer tentativa adicional apenas aumentaria o sofrimento do animal, sem garantir sua sobrevivência. A baleia, debilitada e presa em águas rasas, sofreu sucessivos encalhes, um indicativo de problemas graves de saúde. Além disso, o ambiente do Mar Báltico, com baixa salinidade e pouca profundidade, agravou seu estado físico. Tentativas como estímulos sonoros com cantos de baleias e propostas de escavação foram testadas ou avaliadas, mas sem sucesso. Especialistas também descartaram transporte ou retirada do animal com vida, alertando que isso causaria dor extrema e alto risco de novo encalhe. Após quase duas semanas, baleia jubarte segue encalhada e debilitada na Alemanha Pressão pública e controvérsias O caso gerou forte comoção na Alemanha e mobilizou protestos, ações judiciais e até tentativas individuais de resgate. Segundo o Frankfurter Rundschau, uma ativista chegou a nadar até a baleia, sendo posteriormente retirada do mar pela polícia. Pedidos na Justiça para obrigar novas tentativas de salvamento foram apresentados, mas rejeitados por falta de base legal. Um dos grupos chegou a propor o uso de escavadeiras e até aplicação de antibióticos, mas as autoridades consideraram as medidas inviáveis e potencialmente prejudiciais. A decisão de interromper o resgate também recebeu apoio de especialistas internacionais, incluindo o painel da Comissão Baleeira Internacional, que reforçou que novas intervenções apenas prolongariam o sofrimento do animal. O que vai acontecer agora Com o prognóstico considerado irreversível, o foco das autoridades passou a ser o monitoramento até os últimos momentos do animal. Segundo a NDR, a baleia segue respirando, mas com movimentos cada vez mais fracos. Após a morte, a carcaça deverá ser retirada e levada para Stralsund, onde será submetida a autópsia por cientistas do Museu Oceanográfico Alemão. O objetivo é identificar causas do encalhe, possíveis doenças e os impactos ambientais envolvidos. O esqueleto poderá ser preservado para fins científicos, contribuindo para pesquisas sobre encalhes e conservação de mamíferos marinhos. Linha do tempo: do primeiro avistamento ao desfecho iminente A baleia foi vista pela primeira vez no porto de Wismar no início de março e, desde então, percorreu diferentes pontos do litoral alemão. Em 23 de março, encalhou pela primeira vez em um banco de areia próximo a Niendorf, sendo posteriormente libertada após escavação de um canal. Nos dias seguintes, voltou a encalhar em diferentes pontos da baía de Wismar, conseguindo se mover em alguns momentos, mas sem encontrar saída para o mar aberto. No fim de março, ficou presa definitivamente na região do lago Kirchsee, perto da ilha de Poel, onde permanece desde então. O que se sabe até agora Especialistas afirmam que a baleia não pertence ao Mar Báltico e provavelmente se perdeu ao seguir cardumes de peixes ou devido à desorientação causada por ruídos subaquáticos. O ambiente da região, com baixa salinidade e pouca profundidade, é considerado inadequado para a espécie. Há indícios de que o animal tenha sofrido ferimentos por hélice de embarcação e também se envolvido com redes, o que pode ter agravado seu estado. Apesar das tentativas iniciais de resgate, o quadro evoluiu para um estágio irreversível. A decisão de interromper as ações foi baseada em critérios científicos e no princípio de evitar sofrimento adicional. Neste momento, segundo a cobertura da NDR e do Frankfurter Rundschau, resta apenas acompanhar os últimos momentos do animal, em um caso que se transformou em símbolo de comoção pública, e também dos limites do resgate de grandes mamíferos marinhos em condições extremas.
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