Jornal O Globo
Este conteúdo faz parte da newsletter IAí?, que existe para te guiar no universo da inteligência artificial. Assine aqui para receber quinzenalmente, às terças-feiras, no seu e-mail. Em 2026, a aposta da indústria de tecnologia é de que este, agora sim, será o ano dos agentes de inteligência artificial. A promessa já havia sido feita em 2025, repetida ao longo de meses por executivos do setor, e levado a uma certa frustração. Initial plugin text No fim, para mudarem a internet e entrarem de vez na rotina de escritórios e usuários, os agentes ainda precisariam melhorar um bocado. A integração entre sistemas era um gargalo, assim como a infraestrutura necessária e o alto custo de supervisão humana. A febre da IA agêntica, no entanto, ganhou novo fôlego. Nas primeiras semanas de 2026, muita gente ficou espantada com o MoltBook, experimento em que agentes pareciam interagir entre si como uma rede social. A plataforma foi comprada pela Meta, que semanas antes já havia adquirido o Manus, serviço chinês de IA que integra sistemas autônomos. Quer receber a newsletter de IA no seu e-mail? Inscreva-se no cardápio do GLOBO No mesmo mês, uma nova ferramenta corporativa da Anthropic, concorrente da OpenAI, derrubou ações de empresas tradicionais de software. O serviço, chamado Claude Workflow, usava agentes para automatizar tarefas em ambientes de trabalho. No mês seguinte, veio a resposta da dona do ChatGPT. Ao finalizar a maior rodada de investimento privado que uma empresa já fez, de US$ 122 bilhões, a OpenAI indicou que a próxima corrida da indústria será por sistemas que entendem intenções e executam tarefas de ponta a ponta com autonomia. Mas, afinal, por que os agentes de IA são novamente a aposta do setor, o que eles fazem de diferente da IA no estilo "chatbot" e como testá-los? Afinal, o que são os agentes? O agente de IA é um sistema que não só responde a pedidos dos usuários, mas pode executar tarefas que exigem múltiplos passos e com algum grau de autonomia. Ele também toma decisões e busca caminhos para ser eficiente com base na tentativa e erro. Nas empresas, ele automatiza fluxos de trabalho. Mas também pode ser útil no dia a dia de usuários. Escrever ainda é humano? Explosão de textos gerados por IA pode mudar a linguagem Por exemplo, um chatbot (como é chamada a versão “tradicional”) é capaz de revisar um currículo com base na descrição de uma vaga de emprego. Já o agente vai além: ele consegue executar um comando que envolver buscar perfis no LinkedIn, identificar padrões entre profissionais daquele cargo, comparar com o currículo enviado, sugerir mudanças e preparar mensagens para serem enviadas na rede social. — O agente é proativo. Ele consegue receber um objetivo e decidir como alcançá-lo, com múltiplas etapas — resume Adriano Mussa, diretor da Saint Paul Escola de Negócios, que ressalta que a programação de agentes mais complexos envolve um encadeamento de diferentes modelos de IA. Na mira da indústria, está a tentativa de tornar os agentes de IA parte indispensável das ações executadas pelos usuários e empresas, avalia Marcos Barreto, professor da Escola Politécnica da USP e fundador do Instituto Minerva. Ele próprio usa um agente que "lê" sua caixa de e-mails pela manhã e envia um resumo com os temas mais importantes do dia: — À medida que as pessoas executam coisas de maneira recorrente, o agente entra no dia a dia e passa a fazer parte da nossa caixa de ferramentas. Eles deixam de ser um ‘Google melhorado’ e realizam tarefas. Para Adriano Veloso, cientista-chefe do Instituto Kunumi e fundador do Laboratório de Inteligência Artificial (LIA) da UFMG, a ideia de um “ano dos agentes” pode ser precipitada, já que esses sistemas ainda carecem de precisão e controle de um humano ao executar cadeias de ações mais complexas. — A indústria fala muito em automação, mas ainda está longe de lidar com autonomia de fato, o que exige entender como fazemos a governança desses sistemas — avalia ele. Como e onde acessar os agentes de IA Para o professor da UFMG, há o futuro deve ser da hiperpersonalização dos agentes, que vão entender as necessidades do usuário e agir de acordo com elas, em uma interação com sistemas autônomos de IA criados pelas próprias empresas e também com ferramentas externas tradicionais. Ele ressalta uma parte disso já tem se tornado realidade. Nos últimos anos, serviços populares de IA incorporaram funções que envolvem cadeias de ações e navegação na internet, acesso a arquivos e interação com diferentes plataformas com alguma autonomia. Uma sugestão que vale para testar esses recursos é pedir roteiros e sugestões para as próprias IAs de como configurar a automatização. A seguir, veja alguns exemplos: Manus A chinesa Manus funciona como um agregador de agentes, que podem ser programados para ações recorrentes ou tarefas pontuais que envolvam vários passos (fazer uma pesquisa em várias fontes e criar uma apresentação inteira, por exemplo). A cobrança é feita por crédito. Para testar: na caixa de conversa, há a opção de conectar a IA a aplicativos, como Outlook, Instagram ou Google Drive. É possível programá-la para analisar métricas da rede social e enviar relatórios diários, por exemplo, ou avaliar sites de negócios concorrentes para monitorar mercado. Ao clicar em “Mais" e “Playbook", dá para acessar modelos de automatização de fluxos de trabalho e explorar opções prontas. ChatGPT No ano passado, o ChatGPT lançou o “Modo Agente”, que navega na internet e interage com sites (a opção fica na aba de conversa) e o “Agent Builder", que é mais voltada a programadores. Para usar essas funções, é preciso ser assinante da IA (o plano Plus custa US$ 20 por mês, cerca de R$ 100). Para testar: No trabalho, por exemplo, o agente pode ajudar em uma reunião: buscar informações sobre os participantes, revisar e-mails e documentos, e montar um planejamento. Também é eficiente em pesquisas que envolvem múltiplas etapas — para uma viagem, pesquisa voos, checa avaliações de hotéis e monta um roteiro, por exemplo. As ações pode ser programadas para serem recorrentes. Claude Uma das principais funções agênticas da Anthropic é o Claude Cowork, lançado este ano e que funciona pelo aplicativo desktop da IA. O serviço exige assinatura. O plano Pro, voltado a usuários individuais, custa US$ 20 por mês (cerca de R$ 100). Para testar: é preciso baixar o aplicativo, ir na opção "Cowork" e decrescer a tarefa. Por exemplo, analisar dados de venda em uma pasta e montar uma planilha de controle semanal. Uma sugestão prática: pedir ao próprio Claude, no chat, um roteiro de como configurar o Cowork para uma rotina específica. Gemini Para usar as funções de agentes do Gemini, do Google, é preciso assinar um dos planos da empresa (o Google AI Pro custa R$ 96,99 por mês). Uma das vantagens é a integração das tarefas com aplicativos do ecossistema da companhia, como Docs, Gmail e Apresentações. Para testar: é possível, por exemplo, pedir para a IA organizar recibos recebidos no Gmail e organizá-los em uma planilha -- o agente consegue trabalhar nos dois ambientes. As funções que realmente automatizam fluxos de trabalho, no entanto, estão restritas ao Google Agent, por enquanto disponível apenas nos EUA. Quais cuidados tomar 1. IA no escritório: Se o uso do agente for no contexto profissional, é bom saber quais são as regras internas da empresa. Existe alguma IA com a qual a empresa já trabalha? Quais informações sensíveis não podem ser compartilhadas e quais tarefas precisam ser mantidas sob comando humano? Essas são questões importantes para ter em mente, ressalta Barreto, da USP. 2. Agentes também erram: Ao programar ou usar um agente é preciso considerar que essas IAs cometem erros, o que pode acontecer ao longo da cadeia de ações que são executadas, acrescenta Adriano Mussa. Por isso, alguma supervisão e revisão é necessária em casos em que 3. Preserve seu cartão: Veloso, da UFMG, alerta para riscos de integração de agentes que envolvam compartilhamento de dados sensíveis, especialmente financeiros. Ele cita que os sistemas podem ser hackeados ou caírem em sites maliciosos. A recomendação é limitar acessos críticos, como do cartão de crédito..
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