Jornal O Globo
Circula nas redes sociais, com milhões de visualizações e comentários inflamados, um vídeo que parece saído de um universo de ostentação extrema: nele, um cavalo de brilho incomum, com aspecto metálico e reluzente como ouro derretido, é apresentado como uma raridade do mercado de elite, supostamente arrematada por US$ 14 milhões, cerca de R$ 70 milhões, em um leilão exclusivo. É #FAKE. É #FAKE cena em que onça-pintada com filhotes e sucuri na boca param trânsito em rodovia de Mato Grosso É #FAKE que BYD contratou 10 mil chineses para formar ‘cidade’ na Bahia O conteúdo, que ganhou força desde o fim de março, chama atenção justamente pelo impacto visual e pela narrativa que o sustenta. As publicações associam o suposto valor milionário a fatores como linhagem genética, potencial de reprodução e prestígio entre criadores de alto padrão, elementos reais desse mercado, mas usados aqui para dar credibilidade a uma história que não se sustenta fora das redes. Como é o post? O vídeo tem estética cinematográfica e mostra o animal em um ambiente que remete a um leilão de luxo. As legendas de algumas publicações destacam o preço milionário e levantam um debate: “justo ou exagero?”. Os textos sugerem que o cavalo seria uma “joia rara”, capaz de gerar altos lucros com a venda de sêmen e símbolo de prestígio em mercados como Oriente Médio, Estados Unidos e Brasil. Circula nas redes sociais um vídeo que mostraria um suposto “cavalo de ouro” arrematado por US$ 14 milhões em um leilão exclusivo. #FAKE Reprodução Por que é falso? Não há qualquer registro confiável de um leilão recente em que um cavalo tenha sido vendido por US$ 14 milhões com essas características. A história não aparece em veículos especializados no mercado agropecuário nem em casas de leilão reconhecidas, o que seria esperado diante de uma transação desse porte. Além disso, a própria aparência do animal levanta suspeitas: o brilho exagerado, semelhante a metal líquido, não corresponde a nenhuma pelagem natural conhecida. Explicação da checagem A análise técnica do vídeo indica que ele foi criado com inteligência artificial. Ferramentas de verificação apontam alta probabilidade de geração sintética, o GLOBO consultou o sistema da Hive Moderation que identificou 99,9% de chance de o conteúdo ser produzido por IA. Confira: Checagem pelo Hive Moderation Captura de tela Observando os detalhes, aparecem inconsistências típicas desse tipo de produção: Textura do pelo com aparência plástica ou líquida; Iuminação artificial e pouco natural; Fundo com pouca profundidade; Figuras humanas com movimentos imprecisos ou distorcidos. Esses elementos são comuns em vídeos gerados por IA, especialmente aqueles feitos para viralizar nas redes. O que é fato? Existe, de fato, uma raça conhecida pelo brilho diferenciado: o cavalo Akhal-Teke, originário do Turcomenistão. Esses animais podem ter pelagem com efeito metálico sutil e são considerados raros, mas seus preços costumam chegar a cerca de US$ 100 mil, muito distante dos valores citados no vídeo. Cavalo Akhal-Teke Reprodução O caso segue uma tendência crescente de desinformação envolvendo animais criados digitalmente. Conteúdos desse tipo usam imagens impactantes para gerar engajamento e confundir o público, misturando elementos reais com efeitos irreais. O “cavalo de ouro” não existe, e tampouco houve leilão milionário. O vídeo é uma criação de inteligência artificial feita para viralizar e enganar quem assiste.
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