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Cochico de Alcolumbre, incômodo de Lula e recados de Motta: os bastidores da posse do novo articulador político do governo | Collector
Cochico de Alcolumbre, incômodo de Lula e recados de Motta: os bastidores da posse do novo articulador político do governo
Jornal O Globo

Cochico de Alcolumbre, incômodo de Lula e recados de Motta: os bastidores da posse do novo articulador político do governo

A cerimônia de posse do novo responsável pela articulação política do governo, José Guimarães, foi marcada por gestos públicos de proximidade entre o Palácio do Planalto e os chefes do Congresso. Lado a lado no evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou ao pé de ouvido por ao menos quatro momentos diferentes com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Enquanto isso, em seu discurso, o presidente d Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enalteceu a boa relação com o novo titular da Secretaria de Relações Institucionais, a quem chamou de "amigo-irmão". Davi Alcolumbre cochicha no ouvido de Lula, que reage com incômodo com o que ouviu Lula e Alcolumbre falaram com a mão cobrindo a boca, para despistar a leitura labial das câmeras. Em uma das oportunidades, após ouvir o senador, o petista reagiu demonstrando incômodo com o que escutou. A conversa ao pé de ouvido marca um novo momento da relação entre os dois, após estremecimentos no fim do ano passado com o impasse relacionado à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre ficou contrariado, pois preferia que a escolha recaísse sobre o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu aliado. Após quase cinco meses segurando a mensagem com a indicação, com receio de que o nome de Messias fosse reprovado pelo Senado, Lula enviou na semana passada. Logo depois, Alcolumbre marcou a sabatina para o próximo dia 29. O evento de posse de Guimarães lotou o salão oeste do Palácio do Planalto, com a presença ministros, ex-ministros, governadores e parlamentares. O ministro da Relações Institucionais é o responsável por comandar a articulação política do governo. Ao discursar, o presidente da Câmara também aproveitou para afirmar que essa função não deve ser feita "por uma pessoa", em recado claro ao governo. Ao longo de 2025, Planalto e Hugo Motta enfrentaram uma série de tensões, como a derrubada do decreto do IOF e a escolha de Guilherme Derrite (PL-SP) para relatar o projeto Antifacção, sugerido pelo governo, até que houve uma reaproximação no final do ano. Líder do governo da Câmara deste janeiro de 2023, Guimarães é próximo de Hugo Motta e tem bom trânsito com partidos do centrão. — A articulação política do governo, ela não pode ser feita por duas pessoas, apenas por uma pessoa. Quando a vossa excelência aqui está para prestigiar um colega deputado, demonstra a boa relação que hoje existe entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, e nós vamos seguir assim pelo bem do país — afirmou Motta. O deputado foi recebido por Lula para um almoço no Palácio do Planalto após a cerimônia. Na pauta da conversa, está uma das prioridades da gestão petista na Câmara neste ano eleitoral. O presidente pretende enviar nesta semana um projeto de sobre o fim da escala 6x1, onde já tramita uma proposta de emenda à Constituição (PEC). Motta já disse que a eventual apresentação, pelo governo, de um projeto de lei sobre o fim da escala 6x1 não deve alterar o andamento da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema e já tramita no colegiado desde o ano passado. O governo, no entanto, tem pressa de que o seja apreciado antes das eleições e, por isso, o apresentará via projeto de lei. Já Alcolumbre afirmou que há "agressão permanente às instituições" e citou está "muito cômodo ofender os outros". A fala ocorreu após o pedido de indiciamento por crimes de responsabilidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, incluído no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. — Deixa o processo eleitoral de lado, estamos vivendo uma agressão permanente às instituições republicanas. Está muito cômodo ofender os outros. Está todo mundo passando limites institucionais. A todo instante defender e subjugar — disse Alcolumbre, que não citou a CPI. Davi também citou o "sacrifício pessoal" feito por Guimarães ao assumir o comando da Secretaria de Relações Institucionais e abrir mão de concorrer ao Senado pelo Ceará. A disputa no Ceará já está congestionada com outros aliados do PT no estado, como o deputado Eunício Oliveira (MDB) e o deputado Junior Mano (PSB), apadrinhado pelo senador Cid Gomes (PSB), que tem descartado tentar se reeleger. Com isso, Lula faz um gesto ao grupo de Cid — que esteve presente na posse de Guimarães. O irmão do senador, Ciro Gomes, deve concorrer ao governo do Ceará pelo PSDB contra o atual governador Elmano de Freitas (PT). Cid está rompido com Ciro e já indicou que apoiará o PT no estado. Além de parlamentares, estavam presentes governadores do Ceará, Elmano de Freitas, do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra e do Maranhão, Carlos Brandão, além de ex-ministros como Camilo Santana, André Fufuca, Silvio Costa Filho e Juscelino Filho.

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