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PMs que presenciaram colega executar duas mulheres e não fizeram nada serão afastados de todas as funções | Collector
PMs que presenciaram colega executar duas mulheres e não fizeram nada serão afastados de todas as funções
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PMs que presenciaram colega executar duas mulheres e não fizeram nada serão afastados de todas as funções

Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica, Espírito Santo TV Gazeta O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), informou que deve anunciar, ainda na tarde desta terça-feira (14), a suspensão total de todos os policiais militares envolvidos no assassinato de um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, no último dia 8. Segundo Ferraço, eles serão afastados tanto das atividades operacionais nas ruas quanto das administrativas, que estavam exercendo no momento. As armas deles serão recolhidas. Ao menos sete colegas de trabalho do cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que atirou nas vítimas, não fizeram nada para impedir a ação do PM. O cabo já está preso desde o dia do crime. Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Mais cedo, a corporação cheogu a informar que os policiais envolvidos tinham sido "afastados da atividade operacional e vão trabalhar na esfera administrativa interna". Segundo a Corregedoria, também "será analisada a culpabilidade e responsabilidade de cada um no fato em si". Segundo especialistas, eles também podem responder pelos assassinatos. Confira abaixo o que já se sabe sobre a morte do casal de mulheres em Cariacica e o que ainda precisa ser esclarecido: 1. O que aconteceu? No dia 8 de abril, o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou contra duas mulheres, no meio da rua, em Cariacica, na Grande Vitória. Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, foram baleadas e morreram na hora. Novo vídeo mostra momento em que policial militar chega e atira em casal de mulheres, no dia 8 de abril, em Cariacica, Espírito Santo Reprodução/Rede social 2. O que motivou o crime? De acordo com testemunhas, o crime foi motivado por uma desavença entre as vítimas e a ex-esposa do militar, que moravam no mesmo prédio. Moradores relataram que a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime. A discussão teria começado por causa de um ar-condicionado. Em certo momento, as vítimas mencionaram o filho que a ex-esposa do policial tem com ele. Foi então que ela acionou o ex-marido, que foi até o local acompanhado de colegas de trabalho. 3. Há imagens do momento do crime? Sim. Um novo vídeo mostra as vítimas sentadas em um degrau na calçada, em frente ao prédio onde moravam. Uma viatura para em frente às duas, enquanto uma segunda estaciona em uma rua perpendicular. Segundos depois, seis policiais aparecem dobrando a esquina e caminham em direção ao casal. Luiz Gustavo vai à frente. Quando ele se aproxima, há uma discussão. Uma das mulheres se levanta e vai em direção ao policial, que atira à queima-roupa, mais de uma vez. A outra corre para o outro lado da rua, mas o militar vai atrás e faz novos disparos. Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana foram mortas a tiros por policial militar em Cariacica, Espírito Santo Reprodução 4. O policial foi preso? Sim. Após o crime, o policial retirou o colete, segundo a PM, e entregou a arma. Ele foi autuado por duplo homicídio qualificado e está preso no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, sem previsão de liberação. Em audiência de custódia realizada na quinta-feira (9), o juiz Getúlio Marcos Pereira Neves homologou o flagrante e converteu a prisão em preventiva. Na decisão, o magistrado destacou que a conduta do militar afronta a ordem pública e compromete princípios da corporação, como hierarquia e disciplina. 5. O PM estava trabalhando no momento do crime? Sim. O cabo atuava como guarda em uma companhia da corporação em Itacibá, no mesmo município, e saiu do local de trabalho durante o expediente para cometer os assassinatos das mulheres. A Polícia Militar não informou se o suspeito pediu autorização para deixar a função administrativa e ir até o local do crime. Também não esclareceu, caso tenha havido pedido, se a autorização foi concedida e por quem. 6. Por que ele foi afastado das funções de trabalho na rua? Luiz Gustavo estava afastado das atividades nas ruas desde a morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, em 2022, atingida por cinco tiros durante uma abordagem no bairro Alto Lage, em Cariacica. Na ocasião, a Polícia Militar informou que ela teria reagido com violência. Já testemunhas afirmam que houve execução. Ele ainda responde a esse processo. 7. O policial tinha histórico de outras denúncias? Sim. O agente já era investigado por outros casos. Há registros de denúncias por agressão durante um "bico", enquanto trabalhava em uma boate, em março de 2020. Na ocasião, o cabo deu socos e coronhadas em um homem, que teve fraturas no maxilar, passou por cirurgia e ficou 11 dias internado. O caso ainda não foi a julgamento. O policial também é suspeito de balear um homem durante uma abordagem, em abril de 2020. Mesmo após balear a vítima, o cabo deu uma rasteira, e o homem acabou desmaiando. A Justiça Militar do Espírito Santo absolveu o policial da acusação de lesão corporal grave nesse caso. A decisão cabe recurso. 8. O cabo da PM vai responder pela morte do casal na Justiça? Segundo a Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale será investigado na Justiça Militar por abandono de posto, uso de viatura e demais transgressões cometidas no exercício da função, que ainda serão apuradas. Em relação aos assassinatos, ele foi autuado por duplo homicídio qualificado na Justiça comum. 9. Os outros policiais que foram com o suspeito até o endereço do casal podem ser responsabilizados? Questionada sobre os policiais que acompanharam o cabo no momento do crime e não impediram os disparos, a Polícia Militar não informou quantos são nem se foram afastados das ruas. Disse apenas que eles serão ouvidos durante o inquérito. Segundo o professor e mestre em Segurança Pública Henrique Herkenhoff, os colegas de trabalho também podem responder pelos assassinatos. Para o especialista, os policiais não deveriam ter acompanhado o militar após ele ser acionado pela ex-esposa. O governador Ricardo Ferraço afirmou que irá afastar totalmente os militares envolvidos de suas funções e recolher suas armas. 10. Quais são os próximos passos? A investigação segue em andamento. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, o caso está sendo conduzido com rigor. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

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