Jornal O Globo
O escritor britânico Michael Rosen venceu a edição 2026 do Prêmio Hans Christian Andersen, conhecido como o Nobel da Literatura Infantojuvenil, na categoria escrita. A honraria é concedida pelo Conselho Internacional de Livros para Jovens (IBBY). O anúncio ocorreu nesta terça-feira (14), na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália. Rosen é autor de livros como “Dorminhoco”, publicado pela Brinque-Book, selo do Grupo Companhia das Letras. Em crise desde 2025: Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil deixa Brasil de fora de 'Nobel' do setor e perde espaço para novo instituto Erudita, pop e candidata ao Nobel: Anne Carson fala sobre livro lançado agora no Brasil, diálogo com outros autores e atração pelos místicos Segundo a IBBY, a obra de Rosen (que também escreve poesia, romances e não ficção) “reflete os ritmos da linguagem e do pensamento das crianças, combinando ludicidade com profundidade emocional e consciência social”. Na categoria ilustração, o prêmio foi concedido ao artista chinês Cai Gao, cujo trabalho, segundo o júri, se destaca pela “qualidade artística excepcional e por uma linguagem visual única que amplia as possibilidades da ilustração para crianças”. Rosen não estava em Bolonha para o anúncio do prêmio. O escritor foi impedido de embarcar em um voo para a Itália devido às regras de passaporte pós-Brexit, que exigem que o documento tenha sido emitido há menos de dez anos e que continue válido pelos próximos três meses, a partir da data de saída da União Europeia. Na rede social X, o autor ironizou o episódio: disse ter sido barrado porque seu passaporte foi emitido em março de 2016 e classificou a situação como “mais um benefício do Brexit”. Autora de 'Vale tudo': Manuela Dias será homenageada pela Câmara Brasileira do Livro O escritor foi escolhido entre 78 candidatos de 44 países, avaliados por critérios como a qualidade literária e artística da obra e a capacidade de enxergar o mundo do ponto de vista da criança. A cerimônia de entrega do prêmio está marcada para agosto, em Ottawa, no Canadá. Três brasileiros já venceram o Hans Christian Andersen: Lygia Bojunga (1982), Ana Maria Machado (2000) e Roger Mello (2014). No entanto, por falta de pagamento da anuidade, a Fundação Nacional da Literatura Infantil e Juvenil (FNLIJ) perdeu o vínculo com o IBBY e, consequentemente, o direito de indicar autores à premiação. Criada em 1968, a FNLIJ é uma instituição sem fins lucrativos, mantida sobretudo por contribuições de editoras, que desempenhou papel central na promoção da literatura infantojuvenil no país. No entanto, devido a problemas judiciais e falta de financiamento, enfrenta uma crise sem precedentes há mais de uma década. Houve anos em que até vaquinha precisou ser feita para pagar a anuidade do IBBY.
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