Jornal O Globo
A Justiça do Irã anunciou, na última segunda-feira (14), a liberação dos bens da capitã da seleção feminina de futebol do país, Zahra Ghanbari, que haviam sido confiscados após ela solicitar e posteriormente desistir de um pedido de asilo na Austrália. A decisão, segundo autoridades iranianas, ocorreu após uma “declaração de inocência” e uma mudança de comportamento da atleta. Palácio do Eliseu, sede da presidência da França, é alvo de buscas em investigação sobre cerimônias e homenagens Preso pelo ICE: Francesa de 86 anos é detida pelo serviço de imigração dos EUA após se mudar para reencontrar amor dos anos 1960 Zahra Ghanbari foi uma das seis jogadoras que solicitaram asilo ao país da Oceania no mês passado durante a disputa da Copa da Ásia Feminina. A decisão do grupo, que ainda incluiu um membro da comissão técnica, ocorreu no nos primeiros dias da guerra no Irã, iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país persa. Em menos de uma semana, cinco atletas, incluindo a capitã, voltaram atrás na decisão e retornaram ao Irã, onde foram recebidas em uma cerimônia oficial na capital, Teerã. O nome da jogadora havia sido incluído em uma lista divulgada pela mídia estatal iraniana que classificava centenas de pessoas como “traidores”, com determinação judicial para congelamento de bens. Não ficou claro exatamente quando a decisão de confisco foi tomada após o pedido de asilo. A restituição dos bens também foi confirmada pela Justiça iraniana em declarações divulgadas pela agência Mizan, que reiterou que a medida ocorreu por decisão judicial. Segundo as autoridades, o governo australiano havia oferecido asilo às atletas e membros da equipe diante do receio de represálias, especialmente após a seleção se recusar a cantar o hino nacional durante uma partida da copa. Esse gesto aumentou a preocupação internacional sobre a segurança das jogadoras caso retornassem ao Irã. Antes da reversão da medida, Zahra Ghanbari chegou a ser incluída em uma lista de cerca de 400 pessoas consideradas “apoiadoras do inimigo” pelo regime iraniano, o que resultou no confisco de bens como propriedades e contas bancárias. A capitã retornou a seu país sob a promessa de que não seria punida. Na época em que os pedidos de asilo foram feitos, ativistas de direitos humanos acusaram as autoridades iranianas de pressionar as famílias das jogadoras, convocando seus pais para que comparecessem a interrogatórios. Teerã, por sua vez, acusou a Austrália de ter incitado as atletas a fazer o pedido. Após a decisão das quatro jogadoras e do membro da comissão técnica de voltarem ao país natal, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o grupo havia "decepcionado os inimigos" da República Islâmica ao resistir "às armadilhas e intimidações de elementos anti-Irã". Apenas as jogadoras iranianas Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh seguem na Austrália após pedido de asilo.
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