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Inflação na Argentina avança mais do que o esperado em março
Jornal O Globo

Inflação na Argentina avança mais do que o esperado em março

A inflação da Argentina acelerou mais do que o esperado em março, à medida que os preços dos combustíveis subiram fortemente por causa da guerra no Irã e os custos de educação aumentaram com o reajuste anual de mensalidades. Os preços ao consumidor subiram 3,4% no mês passado em comparação com fevereiro, acima da estimativa mediana de 3% dos economistas consultados pela Bloomberg. Em relação ao ano anterior, a inflação desacelerou ligeiramente para 32,6%, ante 33,1%, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec). Mais cedo, o ministro da Economia, Luis Caputo, já havia alertado que a inflação provavelmente teria ficado acima de 3% durante uma entrevista em painel. Os preços de educação registraram a maior alta no mês, com 12,1%, seguidos pelo transporte, com 4,1%, de acordo com o relatório do governo. Alimentos e bebidas tiveram o maior peso no índice, que subiu 6,9% na região metropolitana de Buenos Aires. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, os preços locais dos combustíveis aumentaram cerca de 23%, segundo a consultoria Eco Go, com sede em Buenos Aires. Isso ocorreu apesar de o CEO da estatal YPF, Horacio Marin, ter prometido manter os preços estáveis até meados de maio — um sinal forte da empresa, que controla pouco mais da metade do mercado de combustíveis automotivos. Ao mesmo tempo, o Ministério da Economia suspendeu um aumento de imposto sobre combustíveis em abril. O presidente Javier Milei tem enfrentado dificuldades em sua tentativa de conter a inflação mensal desde que atingiu o menor nível em sete anos, de 1,5%, em maio passado — abaixo do pico de 25,5% registrado quando assumiu o cargo em dezembro de 2023. Na entrevista, Caputo atribuiu o nível persistentemente elevado do índice de preços ao consumidor à turbulência em torno das eleições legislativas de outubro passado. A proteção contra um possível resultado negativo para o governo provocou um aumento na demanda por dólares, o que acaba pressionando a inflação. Ele acrescentou que essa tendência deve começar a se reverter neste mês. “Acho que a partir de abril veremos uma desaceleração importante da inflação”, disse Caputo. “Certamente veremos um processo de desinflação com maior crescimento.” Economistas consultados pelo banco central em março projetam uma inflação de 29,1% ao fim de 2026, revisada para cima em três pontos percentuais em relação à pesquisa de fevereiro, e crescimento de 3,3% em 2026, revisado para baixo em 0,1 ponto percentual.

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