Jornal O Globo
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vive mais um capítulo de tensão política em meio à crise institucional no estado. Sob pressão de deputados da direita, o presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL), convocou para esta quarta-feira, às 13h, uma reunião do colégio de líderes para discutir a realização de uma nova eleição para a presidência do Legislativo estadual. Sucessão na Alerj: partidos de oposição se manifestam contra nova eleição sem aval do STF Em evento na Faria Lima, Ronaldo Caiado rebate Eduardo Leite e nega divisão no PSD A convocação ocorre no mesmo dia em que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) homologou a recontagem dos votos para definir a composição na Casa, após a cassação do deputado estadual e ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União), que havia sido eleito pelo PL — então suplente, Renan Jordy (PL) assumiu a vaga. O movimento reacendeu a disputa interna pelo comando da Casa. A intenção de Delaroli é deliberar com os líderes partidários uma data para o novo pleito. Na sessão plenária desta terça-feira, o clima entre os parlamentares foi de confronto aberto. Deputados de direita reagiram com irritação às articulações da oposição para barrar a eleição, elevando o tom das críticas. — Não é admissível que se use de diversos expedientes contra uma instituição. Deputados desta Casa dizendo que vão entrar com uma ação para impedir uma eleição interna é um absurdo. Não há razoabilidade. Dizer que temos que esperar uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que nada tem a ver com a eleição aqui — afirmou o deputado Alexandre Knoploch (PL). Na mesma linha, o deputado Bruno Dauaire (União) criticou o que classificou como tentativa de desmoralização do Legislativo e defendeu que a definição sobre o comando da Casa cabe exclusivamente aos parlamentares. — Quem tiver problema com a Justiça que responda individualmente. Não podemos desmoralizar a Casa do povo. Esta Casa votou de forma unânime. Agora querem criar uma narrativa. Esse é um assunto que tem que ser decidido no plenário da Alerj — disse. Em sentido oposto, o deputado Luiz Paulo (PSD), do partido do ex-prefeito Eduardo Paes, ponderou que o cenário jurídico ainda impõe cautela e defendeu o adiamento da eleição até uma definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rito para eleger um governador-tampão. — O Supremo aguarda a publicação do acórdão do TSE sobre o caso do governador (Cláudio Castro) para dar continuidade ao julgamento que vai definir o modelo de eleição e quem governará o estado. Nesse contexto, não é aconselhável, sob hipótese alguma, realizar a eleição para presidente da Alerj antes dessa decisão — afirmou. Frente pede adiamento A movimentação de Delaroli ocorre em meio a uma articulação de partidos de oposição para frear o avanço da eleição. PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania e PCdoB formaram uma frente e divulgaram nota defendendo o adiamento do pleito diante do que chamam de “desastre institucional e incerteza jurídica” após a cassação que levou à dupla vacância no estado. As siglas argumentam que o STF já determinou a suspensão das eleições indiretas no Rio até julgamento definitivo, que deverá esclarecer inclusive a possibilidade de eleições diretas para a vaga aberta com a renúncia e a condenação por abuso de poder político e econômico do então governador do estado, Cláudio Castro (PL). “Aguardar a conclusão do julgamento é fundamental para garantir segurança jurídica e estabilidade institucional”, diz o texto. A estratégia também reflete dificuldades políticas. Aliados do grupo ligado a Paes chegaram a discutir nomes para enfrentar o deputado Douglas Ruas (PL), como Vitor Junior (PTD), André Corrêa (PSD) e Rosenverg Reis (MDB), mas não houve consenso em torno de uma candidatura competitiva. O PSOL, que pretende lançar candidatura própria, ficou de fora da articulação. Segundo deputados da legenda, não houve tempo hábil para deliberação interna. — Pessoalmente, eu concordo que a instabilidade política é razão suficiente para não termos eleições na Alerj enquanto não se esgotem todas as determinações do STF — afirmou a líder da bancada, Renata Souza.
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